Assinalados os 82 anos do Dia D, o desembarque aliado nas praias da Normandia, França, a 6 de Junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, iniciando a ofensiva aliada contra os exércitos alemães que ocupavam a maior parte da Europa.
A operação tinha o nome de código de Overlord, mas Winston Churchill chamou-lhe O Dia Mais Longo e foi o nome que ficou como um legado de coragem para as gerações futuras.
A 6 de junho de 1944 mais de 156.000 militares cruzaram o Canal da Mancha e desembarcaram em cinco praias nas costas da Normandia. No final de junho, já haviam desembarcado mais de 850.000 soldados numa operação decisiva para a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial.
As forças eram constituídas principalmente por tropas norte-americanas, britânicas e canadianas. Quanto aos americanos, mais de 16 milhões foram chamados para as Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial (405 mil morreram), incluindo imigrantes e, entre outras nacionalidades, o contingente americano desembarcado na Normandia incluia portugueses.
As comemorações do 82º aniversário do Dia D tiveram este ano lugar no cemitério americano de Colleville-sur-Mer, em França, com o secretário da Defesa, Pete Hegseth, a anunciar uma redução das tropas norte-americanas estacionadas na Europa. Mas se porventura tivessem procurado encontrariam campas com nomes portugueses.
Só no Dia D, morreram 4.440 soldados aliados, de acordo com a Commonwealth War Graves Commission (CWGC).
O jornal Herald News, de Fall River, publicou em 2020 uma reportagem sobre o Cemitério Americano em Sandweiler, no Luxemburgo, onde estão sepultados 5.073 soldados americanos e há pelo menos uma vintena de lusodescendentes que faziam parte do 290° Regimento de Infantaria que lutou nas Ardenas em janeiro de 1945.
Acrescente-se que não foi no desembarque na Normandia que os Estados Unidos perderam mais tropas, foi nas Ardenas e até 25 de janeiro de 1945 perderam a vida 75 mil americanos e 80 mil alemães.
A 26ª Divisão de Infantaria, também conhecida como Yankee Division, tinha sido mobilizada em Massachusetts e, nas suas fileiras, contavam-se milhares de lusodescendentes, muitos dos quais deram a vida para expulsar os nazis do Luxemburgo. Em 39 dias morreram 1.850 homens e muitos chamavam-se Silva, Santos ou Oliveira.
Na I Guerra Mundial (1914-1918), alistaram-se no Exército americano 15 mil portugueses e entre eles estavam John Dos Passos, um dos mais aclamados escritores norte-americanos, e Jerry Cox Vasconcells, um dos mais reputados pilotos do início da aeronáutica.
Na II Guerra Mundial (1939-1945) alistaram-se mais de 100 mil portugueses e um pormenor curioso é que as comunidades portuguesas residentes na Costa Oeste e no Hawaii foram incorporadas em batalhões que combatiam no Pacífico, enquanto que para a Europa viajaram os luso-americanos residentes na Costa Leste – Massachusetts, Rhode Island, New York, New Jersey e Connecticut.
No cemitério do Luxemburgo está sepultado John E. Santos, do 101° Regimento de Infantaria, natural do Faial e residente em Fall River, que morreu em combate a 9 de janeiro de 1945. Santos usou o corpo para bloquear a detonação de uma granada alemã e proteger os seus camaradas. Foi agraciado postumamente com a Bronze Star e o Purple Heart.
Arthur M. Encarnação, natural de New Bedford e filho de micaelenses, está sepultado no mesmo cemitério, tendo morrido em combate quatro dias antes de Santos.
Everett Seixas dorme duas filas ao lado, era descendente de judeus sefarditas fugidos de Portugal em 1709, tinha uma mercearia no Bronx, em New York e morreu em combate a 27 de dezembro de 1944.
Silvas há quatro. Ernest e Jule Silva vieram de Massachusetts, Lawrence e Raymond Silva da Califórnia. Morreram todos nos bosques das Ardenas. James Oliveira e George Bruno morreram em combate pela 26ª Divisão de Infantaria para expulsar os nazis de Asdorf. Anton Botelho, Amos Cabral, Arthur Cordeiro, Manuel Faria, Anthony Medeiros, Joseph Mendonça e Américo Alves são mais alguns nomes de soldados portugueses caídos na luta no Luxemburgo.
Em 1943, a comunidade de Ludlow inaugurou um monumento aos militares de origem portuguesa que combateram na guerra e continha 104 nomes. Em 1944 foi inaugurado outro monumento a cinco luso-americanos mortos em combate: Charles Pereira, Frank Silva, Thomas Pereira, Francisco R. Almeida e Manuel B. Pereira.
Em 1943, foram plantadas duas árvores na igreja de N.S. Fátima em Valley Falls, RI, em memória de dois mortos na guerra: Armando Macedo e Manuel Lopes.
No Bottonwood Park em New Bedford foi erguido em 1950, por iniciativa da American Portuguese War Veterans, um obelisco dedicado aos naturais e residentes de New Bedford mortos na Segunda Guerra Mundial.
Em New Bedford há homenagens toponímicas aos seguintes militares mortos na Segunda Guerra Mundial: Mark Anthony Dias Traffic Circle, viaduto sargento Edward Almeida, Manuel Lino Square, sargento John A. Sousa Square, Herman P. Vieira Square e sargento Arthur M. Encarnação Square.
No Kennedy Park, em Fall River, ergue-se um belo monumento aos luso-descendentes mortos na II Guerra Mundial, inaugurado a 30 de Maio de 1951. É a estátua em bronze de um soldado de arma à tiracolo e contém nomes dos luso-americanos da cidade caídos em combate.
Noutras cidades com portugueses existem monumentos idênticos, pois todas as comunidades tiveram residentes mobilizados.
Em 1951, foi decidido colocar na Dartmouth High School uma placa com o nome de onze ex-alunos que perderam a vida na Segunda Guerra Mundial e entre eles figuram Edward Cunha, Gilbert Mota, António Pacheco, George H. Reis, Joseph B. Sousa e Harold F. Vieira.
Nem todas as iniciativas foram bem sucedidas: em 1947 reuniram-se em Bristol, RI, representantes das associações portuguesas locais (Banda Independente, Associação D. Luís Filipe, Clube Recordações da Pátria, Associação do Divino Espírito Santo, Associação Madeirense, Clube Santo Cristo, Clube Filhos de Portugal, e Igreja de Santa Isabel) e foi acordado colocar frente à igreja uma placa com o nome dos combatentes portugueses de Bristol mortos e vivos. Procedeu-se à recolha de nomes e formou-se uma lista inesperada de 603 veteranos filhos de mãe portuguesa mas com o apelido americano do pai que diziam ter estado na guerra, mas da lista não constava nenhum apelido português e o grupo desistiu da placa.



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