Lisboa, 10 abr 2026 (Lusa) – A igreja do Convento de S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, vai ser cenário a partir do próximo dia 12 de cinco “mini-conferências” dedicadas à História da Música Ocidental, anunciou a Égide-Associação Portuguesa das Artes, organizadora da iniciativa.
A série, intitulada “História da Música de Bolso”, é organizada no âmbito do ciclo “Escutarte”, “para [se] escutar e compreender a música ao longo dos séculos”, e tem curadoria da musicóloga e cantora lírica Sara Maia.
“A ideia surgiu da própria temática do ciclo ‘Habitar o Tempo’, e perspetiva o tempo nas suas várias aceções: por um lado, termos tempo para pensar e criar, por outro, conhecermos o tempo histórico das artes, nomeadamente da música. Neste contexto surgiu a ideia de percorrermos historicamente a música, para tornar a música clássica mais acessível”, disse Sara Maia à agência Lusa.
Para a musicóloga e cantora lírica, “tornar mais acessível a música clássica é também conhecer um bocadinho a sua história”.
Sara Maia considera que “a música clássica não é tão apreciada e entendida, porque não percebemos o seu contexto”.
As conferências previstas, com duração de cerca de 90 minutos cada, “vão ajudar a abrir os olhos” para a música clássica.
A prolongar-se até outubro, o ciclo é assegurado por musicólogos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL), e abre no próximo domingo, dia 12, com Inês Trindade a abordar os períodos da Idade Média e do Renascimento.
No dia 10 de maio, na sessão seguinte, será tratado o período Barroco, por Marta Franco, e, em 12 de julho, o Classicismo, por Ana Sofia Malheiro.
O ciclo regressará em 13 de setembro, com Íris Pereira, que falará sobre o Romantismo, e encerra no dia 11 de outubro, com uma sessão sobre o Pós-Romantismo e o Século XX, por Gonçalo Valente.
Sara Maia disse que “estes são os grandes períodos da música” e reconheceu que “se podia esmiuçar cada uma destas sessões, mas o objetivo é dar o panorama geral de cada momento histórico, permitindo que as pessoas tentem identificar músicas que se associam” a estes períodos.
Em cada encontro serão escutados excertos musicais gravados e outros interpretados ao vivo, nomeadamente peças de canto e piano, já que “as sessões são dinamizadas por jovens musicólogos que muitas vezes são também intérpretes”.
Os musicólogos envolvidos no projeto prosseguem, atualmente, “estudos mais avançados noutras universidades, ou dedicam-se à divulgação musical”, e “têm uma nova visão de transmitir a música clássica” disse Sara Maia à Lusa.
As sessões realizam-se sempre ao domingo, a partir das 11:00.
Sara Maia, responsável pela programação do ciclo “Habitar o Tempo”, é bolseira de investigação do Arquivo Musical José Mário Branco, mestre em Ciências Musicais – Musicologia Histórica, pela Universidade Nova de Lisboa, e em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa.
Na área pedagógica, centra o seu interesse académico na iniciação musical na infância. Desde setembro passado é técnica superior no Gabinete de Inovação e Criação de Valor da FCSH/UNL.
A associação Égide, em comunicado sobre a iniciativa, dedica-se “à promoção da riqueza cultural portuguesa e dos seus artistas”, tendo por objeto social “a promoção e apoio a iniciativas de natureza cultural, artística, educativa e social”.






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