Libertado ex-ministro moçambicano que estava detido nos EUA

by | Apr 1, 2026 | Notícias das comunidades

 

O antigo ministro das Finanças de Moçambique Manuel Chang já não está sob custódia das autoridades prisionais norte-americanas e foi libertado, segundo a Lusa.

De acordo com informação do Bureau of Prisons (BOP) dos EUA, Chang, 70 anos, “já não está sob custódia” daqueles serviços prisionais desde 26 de março de 2026, sete anos depois da detenção no âmbito do processo das dívidas ocultas, seguindo-se a extradição para Moçambique.

O tribunal federal EDNY, de Brooklyn, condenou Chang há um ano a 102 meses de prisão, mas rejeitou no mês passado a libertação antecipada.

Chang, que liderou as finanças de Moçambique de 2005 a 2015, estava detido no estabelecimento prisional federal FCI de Danbury, em Connecticut, e pretendia ser libertado antes do final da pena, por estar privado da liberdade desde dezembro de 2018, quando foi detido na África do Sul.

Manuel Chang foi condenado no EDNY, em 17 de janeiro de 2025, a 102 meses (oito anos e meio) de prisão por conspiração para cometer fraude eletrónica e branqueamento de capitais no âmbito do caso das dívidas ocultas de Moçambique. Antes da condenação em New York, Chang já tinha passado cerca de seis anos sob custódia enquanto aguardava julgamento, entre a África do Sul e posterior extradição para os EUA.

Chang foi acusado de aceitar subornos e de conspiração para desviar fundos dos esforços de Moçambique para proteger e expandir as indústrias de gás natural e pesca, num plano para enriquecer e enganar investidores.

Durante o julgamento, os procuradores acusaram Chang de recolher sete milhões de dólares em subornos, transferidos através de bancos norte-americanos para contas europeias de um associado, mas que o antigo ministro negou.

No total, Chang e outros participantes desviaram mais de 200 milhões de dólares, afetando investidores nos EUA e em outros locais ao deturpar como os recursos do empréstimo seriam usados e fazendo com que sofressem perdas substanciais, sustentaram os procuradores.

Ao longo do processo, a defesa alegou que Chang estava a fazer o que o seu Governo desejava, quando assinou as promessas de que Moçambique pagaria os empréstimos, e que não havia provas de uma contrapartida financeira para o então governante.

Entre 2013 e 2016, três empresas controladas pelo Governo moçambicano contraíram discretamente empréstimos milionários junto de grandes bancos estrangeiros.

Chang assinou garantias de que o Governo reembolsaria os empréstimos, cruciais para os credores. As receitas deveriam financiar uma frota de atum, um estaleiro naval, navios da Guarda Costeira e sistemas de radar para proteger os campos de gás natural ao largo da costa do Oceano Índico.

 

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