A ignorância é a mãe de todos os males.
Aprender, é um bem permanente.
Costumo contradizer o velho provérbio que diz: “O saber não ocupa lugar”, dizendo: O saber ocupa o lugar da ignorância.
E de facto, quanto mais vasto é o conhecimento de uma pessoa, mais larga advém a sua compreensão sobre os ‘mistérios’ da nossa existência.
O filósofo George Santayana (1863-1952) na sua obra The Life of Reason, escreveu em 1906: “Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo”, enfatizando que a memória histórica é crucial para evitar a repetição de erros e o progresso humano.
No entanto e apesar de tantas lições de mestria da História, muitas pessoas continuam ignorando propositadamente toda a carga incontornável da experiência passada.
No parlamento português e por entre os 230 membros supostamente representativos do país, continuamos a ser infetados pela bactéria da ignorância nata sobre o mais básico dos nossos dias: o esforço permanente em conhecer o lugar em que habitam os cidadãos do país que, afinal, lhes paga o salário.
Se a eleição de cada representante no parlamento português dependesse da escolha através da qualidade individual, a grande maioria não seria eleita.
Começando pelo líder da bancada parlamentar do governo, um tal Hugo Soares, cuja intervenção vergonhosa no debate sobre subsídio social de mobilidade, deixa muito a desejar e muitas dúvidas sobre o seu intelecto. Ou quis propositadamente provocar as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores – o que já em si seria erro crasso -, ou desconhece em absoluto as realidades insulares que fazem de Portugal o maior “proprietário” do oceano Atlântico, com todas as imensas regalias que acompanham este facto. Assim sendo, não sei se devo perdoar a ignorância, ou se devo apenas considerar que aquilo terá sido um arroto a meio da digestão do almoço.
Diante de tão pouca prática democrática volvida mais de cinquenta anos deste regime em Portugal e de outros cinquentas de exercício autonómico regional, virem elementos do Partido de Sá Carneiro – ele próprio impulsionador dos regimes autonómicos – dizer tais baboseiras em intervenções pobres e até perigosas para a unidade nacional tão apregoada por todos os partidos, francamente, não lembra nem ao diabo.
No entanto, não estranho a ignorância secular que sempre reinou em tais cabeças.
No primeiro número do jornal “Autonomia dos Açores” de domingo, 5 de março de 1893, podemos ler as seguintes pontas:
“…Na direcção dos negócios públicos, não temos tido um governo da nação, temos tido um governo da capital, um governo de burocratas, um governo de políticos sem senso político, sem senso moral e sem senso commum… a burocracia, no seu furor de regulamentação ignara, enleia com estéreis formalismos a expansão natural das forças vivas nacionaes. Os políticos teem entendido que os torneios da rethorica parlamentar, os jogos malabares das cifras orçamentaes, as intrigas dos partidos, são os elementos da nossa prosperidade… a corrupção alastra-se de cima abaixo… o governo deve apenas garantir a ordem, garantindo a liberdade; é a funcção que lhe cabe na vida interna da nação…”
E muito mais nos diz este e outros pergaminhos, amarelados pela História e Tempo, arquivados num canto da nossa memória. Já lá vão 133 anos e… séculos!





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