As nossas bandas e as visitantes, grandioso contributo para o êxito das Grandes Festas
O que nos foi dado observar no cortejo etnográfico do bodo de leite e na procissão de coroação das Grandes Festas, assim como nas festas do Espírito Santo a que demos cobertura nos meses de verão podemos concluir que a prática filarmónica se mantém ativa. Isto quer dizer que as bandas foram encontrando formas de dinamização e de revitalização inseridas num processo cultural apoiado por gente de conhecimentos musicais na sua maioria de iniciativas semelhantes, na sua maioria nas freguesias açorianas. O processo de revitalização realiza-se através da sua dinâmica e aqui conseguida por elementos diretivos, por gosto pessoal da sua banda, à frente da qual orgulhosamente desfilam como que mostrando um troféu conquistado.
Estamos perante uma nova realidade musical, readaptando às novas realidades de jovens executantes provenientes de escolas de música, prática já existente de há longa data, mas agora mais eficaz, dado ter de tentar ultrapassar outras práticas mais aliciantes em termos de passatempos.
Temos mantido contacto ao longo de mais de quarenta anos, com regentes, presidentes, diretores e mesmo músicos. Jovens que vimos crescer entre desfiles e concertos. Locais de sedes e novas sedes. Encargos em cima de encargos. Os que criados à sombra de organizações ali se mantiveram, festejam 100 anos mais livres de encargos. Os que arriscaram sede própria têm- nas mantido e acabam por ser marcos da presença lusa nos EUA.
“Através dos tempos foram-se formando bandas”, conservatórios de música do povo próximos e acessíveis à população, distribuídos, neste caso dos EUA, pelas diversas comunidades.
Estas escolas de música das bandas foram crescendo, tendo algumas, pela sua qualidade e importância, alcançado o estatuto de verdadeiros conservatórios de música com os quais cada vez mais, frequentemente articulam. Todos conhecemos músicos que iniciaram o seu percurso nestas instituições, pelo que estas são, sem dúvida o passado, o presente e o futuro de boa parte dos músicos profissionais e daqueles que se encontram em formação. Torna-se de facto inquestionável o peso destas instituições na cultura musical do povo português radicado pelos Estados Unidos.
Para muitos os desfile e concertos das bandas musicais são uma forma de estabelecer contato com esta arte, de a ouvir e de a interpetar.
Torna-se necessário perceber que estas instituições celebram o seu passado, o seu presente numa aposta de futuro. Num cenário em que o ensino da música é cada vez mais acessível, forma de manter vivas estas instituições. Consequentemente, quase todos mantêm uma ligação a estes lugares de partida, onde outrora aprenderam a solfejar as primeiras notas e a saber estar e ser, regressam, qual ponto de encontro à música que os une e esse amor também se transfere para a sua organização, para a sua identidade, que a banda ajudou a construir.






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