A família de Manuel Pedroso dificilmente encontra palavras para agradecer a todas as demonstrações de pesar expressas por quantos passaram pela câmara ardente, marcaram presença na missa de corpo presente e no adeus à sua última morada. Manuel Pedroso faleceu no passado dia 22 de fevereiro, em Providence.
No mesmo dia, o bispo da Diocese de Providence, Bruce Lewandowski, celebrava a solene eucaristia dos 140 anos da igreja de Nossa Senhora do Rosário em Providence, coadjuvado pelo padre Joseph Escobar, a paróquia a que pertencia e que era respeitado e admirado por todos os paroquianos, clero e organizações da área. O falecimento de Manuel Pedroso será sempre relembrado quando se falar do aniversário da igreja de Nossa Senhora do Rosário, pela sua ocorrência na celebração dos 140 anos de mais antiga, ativa, igreja portuguesa dos EUA.
Independentemente destes dados que são históricos, temos de juntar às centenas a quem o coração falou mais alto, obrigando à sua presença na câmara ardente, mostrando aos familiares o seu pesar pelo falecimento daquela figura que conheceram atrás do balcão da Friends Market na Brook Street, no bairro do Fox Point em Providence.
A conselheira das Comunidades da Nova Inglaterra, Márcia Sousa sublinha nestas linhas: “A nossa comunidade perdeu um grande homem. O nosso querido Sr. Pedroso partiu, deixando-nos com um vazio profundo no coração. É difícil encontrar palavras que expressem o tanto que ele significava para todos nós. Ao longo dos anos vi neste senhor extraordinário não apenas um amigo, mas um exemplo de vida, de humildade, de sabedoria e de generosidade. Ele soube ensinar, apoiar e inspirar todos ao seu redor de uma forma única, tocando na alma de cada pessoa com sua presença e bondade. A sua partida é uma grande perda, mas a sua memória e os seus ensinamentos permanecerão vivos em nós. A sua vida foi um legado de dedicação, de amor pelo próximo e de coragem diante das adversidades. Não há palavras que possam traduzir todo o meu agradecimento, mas saiba que, para mim e para todos que tiveram a honra de conhecê-lo, ele será sempre lembrado com o maior respeito e carinho. Obrigado por tudo, meu querido amigo. Que o seu espírito continue a nos guiar. Fica o exemplo e a saudade. Até sempre! Marcia Sousa”.
Resta acrescentar que quem tiver a facilidade de acesso ao Portuguese Times nestes últimos cinquenta anos, vai encontrar as mais diversas passagens da vida de Manuel Pedroso. Dizia-nos o empresário João Moniz: “Tinha iniciado a importação de produtos dos Açores. Parei no Friends Market no Fox Point em Providence, RI, apresentei-me ao Sr. Manuel Pedroso que me recebeu amavelmente. E em resposta à minha visita, disse-me: “Pode trazer-me uma caixa de todos os produtos que está a trazer dos Açores”… “Foi dos dias mais felizes da minha vida. E ficamos grandes amigos para sempre. Até que Deus o levou”, concluiu João Moniz.
E já agora, no decorrer de uma das centenas de entrevistas para o Portuguese Times, teve uma saída curiosa. Dizia-nos o Senhor Pedroso: “Uma das coisas que importei foram aqueles rádios enormes que davam para ouvir as notícias e o futebol de Portugal. Eram pagos às prestações”. Mas pagaram sempre, acrescentámos. Ao que o saudoso Pedroso responde, no meio de um sorriso: “A maioria pagava, mas alguns nunca mais os via”. As procissões da igreja de Nossa Senhora de Nossa Senhora do Rosário e do Senhor Santo Cristo quando percorrem o bairro do Fox Point passam obrigatoriamente em frente ao Friends Market. Numa saudação ao ato religioso as montras estavam decoradas. E lá estava Manuel Pedroso e a esposa Maria Pedroso. Filhos e netos, em respeito à passagem das imagens e às entidades religiosas que foram várias ao longo dos anos. Manuel Pedroso sempre teve na sua consciência o grande apoio à igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Dizia-nos o fundador da procissão em honra da padroeira, Ramiro Mendes. “Por altura das festas iamos ao Friends Market adquirir os produtos. Quando iamos pagar a resposta era sempre a mesma: “Foi tudo pela alma dos que partiram. Pelo apoio à nossa histórica igreja e aos párocos que ali vêm prestando serviço”.
Era este o Manuel Pedroso que se encontrava diariamente sentado atrás do balcão do Friends Market onde recebia o recente imigrante, o professor e estudante da Brown University, o leitor do jornal A Bola vindo de Portugal. E já que falamos em jornais, foi por longos anos o depósito do Portuguese Times quando vinha do “printer” para a distribuição e que se esgotava rapidamente. Era o Manuel Pedroso. Presente no torneio de tiro aos pratos do Dia de Portugal em RI, na parada do Dia de Portugal (onde foi “marshall”), nas cerimónias oficiais na State House, no festival Waterfire.
E mais uma curiosidade: num Jantar dos Caçadores em Cranston, Manuel Pedroso só por si vendeu 200 bilhetes. Diziamos no PT: “Se conseguiu atrair 200 pessoas no jantar de 100 anos (que estava próximo) vai atrai O jantar acabou por ser no Clube Juventude Lusitana com mais de 500 pessoas. Deixa a esposa Maria Pedroso, de um casamento de 77 anos, o filho Manuel A. Pedroso e esposa Jane Pedroso, a filha Eileen Maria Pedroso Afonso e marido José Manuel Afonso, uma irmã Olívia Calado. Era avô de Dorne Eaton e marido Mark Eaton, Kriston Pedroso e marido Shaun Jones, Philliip Afonso, Diana Marie Afonso e Andrew Afonso. S o b r e v i v e m – l h e ainda cinco bisnetos: Kylie Eaton, Adriana Eaton, Noah Pedroso Jones, Lúcia Pedroso Jones e Arabella Afonso Allen.
A missa de corpo presente na igreja de Nossa Senhora do Rosário recebeu Manuel Pedroso pela última vez, trajeto relembrado e enaltecido pelo padre Joseph Escobar, coadjuvado pelo sacerdote missionário Nuno Rodrigues.






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