Portugal cada vez mais perto dos EUA
O destino Portugal é cada vez mais apetecível para os estrangeiros, nomeadamente os estadunidenses, calculando-se que cerca de oito mil americanos tenham residência permanente em Portugal e muitos outros tencionam comprar casa ou investir no nosso país, que, sim senhor, está na moda, como frequentemente ouvimos por aí.
Em termos de ligações aéreas EUA-Portugal, as principais companhias aéreas dos EUA: American Airlines, Delta Airlines e United Airlines, asseguram ao longo do ano várias operações a partir de diferentes aeroportos americanos, para além das companhias portuguesas como a TAP Air Portugal e a Azores Airlines. Sabe-se ainda que a JetBlue, que introduziu há dois-três anos rotas transatlânticas para Londres, Amsterdão, Paris, Madrid, Barcelona e Milão, pretende adicionar Lisboa. Sabemos ainda que, mais tarde ou mais cedo, a Breeze Airways, propriedade de David Neeleman, antigo acionista da TAP Air Portugal e da JetBlue, vai adicionar Portugal quando começar a voar para a Europa. É uma questão de tempo.
Recentemente a United Airlines anunciou o reforço da oferta de lugares no seu serviço quase anual entre Lisboa e Washington D.C. em 15% para 2026 com a introdução de um avião Boeing 777-200ER durante a época de verão. A companhia refere que o serviço de Lisboa para Washington D.C. faz parte da rede inigualável da United de Portugal para os EUA, que também inclui voos durante todo o ano de Lisboa para Newark/Nova Iorque, bem como serviços sazonais do Porto, Faro, Ponta Delgada, Açores e Madeira para Newark/Nova Iorque. Para o verão de 2026, a United irá operar até 6 serviços diários sem escalas de Portugal para os EUA, oferecendo mais voos entre Portugal e os Estados Unidos do que qualquer outra companhia aérea dos EUA. Segundo um representante da companhia, o aumento significativo da capacidade sublinha ainda mais a importância estratégica de Portugal na rede global da United Airlines.
Por sua vez, a TAP Air Portugal, que assegura ligações para cidades norte-americanas como New York, Newark, Boston, Washington, Chicago, Miami, San Francisco e Los Angeles vai operar para Orlando, Flórida, com três voos semanais, às segundas, quintas e sábados, já a partir de maio. Orlando é um destino turístico de relevo e além disso há muitos portugueses nesta região central da Flórida. Uma excelente notícia para os nossos compatriotas ali residentes.
Outra novidade, segundo o CEO Luís Rodrigues (que esteve alguns anos na Azores Airlines), a operação Porto-Boston vai passar a acontecer todo o ano, permitindo que os portugueses escolham a companhia aérea nacional em detrimento das norte-americanas.
Recentemente a American Airlines e a Delta Airlines anunciaram operações a partir de Philadelphia e New York, respetivamente.
Portugal cada vez mais perto.
A música não conhece fronteiras
O impacto das proibições de viajar pela atual administração dos Estados Unidos, com a suspensão de vistos de imigrantes para cidadãos de 75 países, incluindo Brasil e Cabo Verde, uma medida que entrou em vigor no passado 22 de janeiro, tem afetado alguns agentes e instituições ligadas ao mundo das artes e da música em particular.
Embora a medida seja temporária e baseada na preocupação da administração Trump de que novos residentes possam tornar-se um “encargo público” para o sistema de assistência social americano, a verdade é que registam-se vários cancelamentos de espetáculos previamente marcados, alguns dos quais mesmo aqui em New Bedford (Zeiterion Theatre) e com maior incidência em Boston.
Como defensora da música e dos artistas globais em Boston, a Global Arts Live, uma organização não-lucrativa que promove espetáculos musicais na área de “world music”, enfrenta um momento sem precedentes nos seus 35 anos de história. Só este ano, perdeu três concertos devido às crescentes restrições de viagem impostas pelo governo federal.
Mais recentemente, foi obrigada a cancelar uma atuação dos Les Ballets Africains depois de artistas da República da Guiné não terem conseguido obter vistos. Habib Koité, do Mali — que atuaram em Boston 17 vezes desde a sua primeira atuação em 2000 — foi obrigado a cancelar a sua digressão devido à recusa de vistos. “Estávamos a trabalhar para trazer de volta os Tinariwen, artistas tuaregues da região do Saara, no sul da Argélia e norte do Mali, mas a sua digressão foi abruptamente interrompida por problemas com vistos”, referiu ao PT fonte da Global Arts Live.
Claro que estas perdas representam muito mais do que eventos perdidos; sinalizam uma mudança preocupante com consequências reais para o intercâmbio cultural em Boston em particular e nos EUA em geral. “É profundamente perturbador que artistas que acolhemos há décadas estejam agora a ser impedidos de entrar nos Estados Unidos”, refere ainda a fonte ao PT, adiantando que estas ações não refletem os valores que o estado defende.
Efetivamente a música não tem fronteiras: une povos e culturas, desperta ligações e enrique culturalmente as pessoas, neste intercâmbio multi-cultural que é sem dúvida benéfico para todos. É uma poderosa linguagem universal que transcende barreiras geográficas, linguísticas e culturais, unindo povos nesta partilha de emoções e criação de experiências compartilhadas. A música ou qualquer outra forma de arte.





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