Quando o drible de Figo fica na memória dos japoneses

by | Feb 25, 2026 | A Descoberta

 

Não há japonês que não saiba que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao arquipélago ainda na primeira metade do século XVI. E foi isso mesmo que me confirmou o embaixador Tsutomu Nakagawa, numa conversa há dias: “os laços históricos entre o Japão e Portugal fizeram parte das aulas de História na escola, mas também tive diversas oportunidades de conhecer essa relação por meio de filmes e mangas que retratam os vínculos entre os dois países. O encontro entre Japão e Portugal em 1543 trouxe novas tecnologias ao Japão e exerceu influência profunda na História japonesa. Além disso, foi através dos portugueses que o cristianismo foi introduzido no Japão”. 

Os japoneses não conheciam as armas de fogo e foi com os portugueses que aprenderam a fabricar espingardas, melhorando logo a tecnologia. Também gostaram dos peixinhos da horta que os padres jesuítas comiam nas épocas em que era suposto a abstinência de carne, e aplicaram-se depois na criação do popular tempura. Outro legado são as palavras portuguesas que entraram na língua japonesa, já adaptadas, como koppu, tabako, pan ou saban. 

Mas como grandes apaixonados por futebol,  muitos japoneses de hoje são capazes de saber ainda mais sobre a seleção portuguesa do que sobre os Descobrimentos. O próprio embaixador, que  se confessou apreciador de futebol, falou, claro, de Cristiano Ronaldo, mas não só. “Recordo-me também com particular admiração do drible incisivo de Luís Figo”, disse o diplomata, que iniciou funções em Lisboa já em 2026.

Um antecessor de Nakagawa, de uma geração mais antiga, chegou a fazer grandes elogios a Eusébio à minha frente, por causa do Mundial de 1966, quando Portugal foi terceiro. E até me mostrou uma preciosidade de quando era criança: uma caderneta de cromos com jogadores do Benfica, quando o clube foi fazer uma digressão ao Japão.

Portugal aos olhos dos japoneses: país de navegadores e de futebolistas! Dos melhores do mundo.

 

* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.

 

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