Quando Luís Pedroso chegou aos Estados Unidos vindo da ilha de São Jorge, Açores como jovem imigrante, trazia consigo uma crença simples, mas fundamental: que a vida deveria ser dedicada a deixar o mundo melhor do que o encontrou.
Esta crença tornou-se a base de uma vida dedicada a ajudar os imigrantes a alcançar o sonho americano — através da educação, do emprego, do empreendedorismo e do investimento contínuo na comunidade.
Pedroso compreendeu na pele a incerteza de recomeçar num novo país. Em vez de se concentrar apenas no seu próprio sucesso, dedicou-se a abrir portas a outras pessoas, principalmente famílias imigrantes que se esforçavam por construir vidas estáveis e significativas na área metropolitana de Lowell e fora dela.
Com apenas 24 anos, Pedroso fundou a Qualitronics em 1984, criando oportunidades de emprego e desenvolvimento de competências para muitos imigrantes que ingressavam no mercado de trabalho americano.
Depois de vender a empresa em 2000, regressou ao empreendedorismo em 2004, co-fundando a Accutronics com os seus irmãos. Em conjunto, estas duas empresas proporcionaram emprego estável e oportunidades a longo prazo a mais de 200 famílias, muitas delas famílias imigrantes, antes de a Accutronics ser vendida em 2023.
Ajuda a novos empreendedores
Mas o impacto de Pedroso foi muito além das empresas que construiu.
Luís acreditava que o sonho americano só tinha significado se fosse partilhado. Dedicou a sua vida a ajudar outras pessoas a estabelecerem-se — através da educação, do emprego e do empreendedorismo — para que pudessem construir algo duradouro para as suas famílias e comunidades.
Esteve profundamente empenhado em ajudar os imigrantes a estabelecerem os seus próprios negócios, orientando e apoiando os empreendedores — muitas vezes discretamente e nos bastidores. Entre os negócios que ajudou a criar, contam-se a Caribbean Bakery em Lawrence, a Charlie’s Auto Village em Pelham, New Hampshire, e a Invisawear, Inc. em Lowell.
Em muitos casos, Pedroso foi ainda mais longe, oferecendo espaço no seu edifício comercial gratuitamente durante um período de um ano a dezoito meses, permitindo aos empresários o tempo e a estabilidade necessários para lançar os seus negócios. Para ele, o sucesso nunca foi medido apenas pelo lucro, mas sim por quantas pessoas ajudou a tornarem-se independentes.
Ação humanitária e apoio ao ensino da língua e cultura portuguesas
A educação, a filantropia e o investimento comunitário a longo prazo eram fundamentais para a visão de Pedroso. Ajudou a fundar a Greater Lowell Community Foundation, acreditando que as mudanças duradouras advêm do reinvestimento nas comunidades locais. Também desempenhou funções de administrador da Fundação Theodore Edson, apoiando iniciativas que expandiram as oportunidades educativas e fortaleceram os programas comunitários em toda a região.
O empenho de Pedroso na preservação da língua e do património português levou-o a ajudar a financiar a Cátedra Hélio and Amelia Pedroso de Estudos Portugueses na UMass Dartmouth. Este esforço tornou-se o catalisador da sua visão de aproximar os estudos portugueses da comunidade local, ajudando, em última instância, a lançar o programa de Estudos Portugueses na UMass Lowell, garantindo que as gerações futuras pudessem aceder e celebrar a sua identidade cultural através do ensino superior.
As distinções
Ao longo dos anos, o trabalho de Pedroso foi reconhecido a todos os níveis. Recebeu o Prémio Imigrante do Governador, a Chave da Cidade de Lowell, foi incluído no Hall of Fame dos Antigos Alunos Ilustres da Lowell High School e ganhou o Prémio Sonho Americano do Instituto Internacional — honras que refletem uma vida inteira de liderança enraizada na humildade e no propósito.
Luís foi sempre um defensor apaixonado da história e cultura açorianas. Foi um dos maiores doadores da Sociedade do Património Marítimo Açoriano, ajudando a financiar a criação de réplicas historicamente precisas de barcos baleeiros tradicionais açorianos – um esforço para preservar e celebrar o legado marítimo dos Açores para as gerações futuras. Em reconhecimento da sua dedicação de uma vida ao património português e ao serviço comunitário, Luís recebeu o Prémio do Dia do Património de Portugal na Assembleia Legislativa de Massachusetts, no âmbito das celebrações do Dia de Portugal. Foi ainda homenageado internacionalmente com a prestigiada Ordem do Infante D. Henrique, o Navegador, que lhe foi pessoalmente atribuída pelo Presidente português Aníbal Cavaco Silva durante uma visita oficial aos Estados Unidos no início dos anos 2000. Luís trabalhou ainda com o deputado estadual António F.D. Cabral para auxiliar José Ramos-Horta em viagens aos Estados Unidos para várias reuniões, ajudando a coordenar visitas que apoiaram os esforços de envolvimento diplomático e comunitário.
Apesar destes elogios, Pedroso manteve a sua generosidade em segredo. Dentro da comunidade luso-americana e não só, era conhecido simplesmente como alguém que aparecia — discretamente, consistentemente e sem esperar nada em troca — quando os outros precisavam de ajuda.
A luta contra a doença
Agora, perante uma doença grave, a família de Pedroso espera partilhar a sua história enquanto ele ainda cá está, honrando não só as instituições que ajudou a construir, mas também as inúmeras vidas moldadas pela sua crença de que o sonho americano é algo que deve ser partilhado.
“Luís Pedroso nunca acreditou que o sucesso fosse para ser guardado”, disse a sobrinha, Amanda Varga. “Ele acreditava que era para ser transmitido”.
A família Pedroso agradece a oportunidade de falar mais sobre o percurso de Luís Pedroso desde os Açores, o seu compromisso de vida com as oportunidades para os imigrantes e o legado duradouro que deixa na área metropolitana de Lowell.






0 Comments