Prejuízos “bastante acima” dos incêndios de 2024 ou 2025 (com fotos)

by | Feb 4, 2026 | Outras Notícias

 

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, disse a semana passada que os prejuízos devido ao mau tempo são “bastante acima” dos valores registados nos incêndios de 2024 ou 2025.

“Eu fui fazendo as minhas contas, evidentemente, ao ouvir a descrição do que estava a ser feito e vou criando um número na minha cabeça, mas são números muito redondos. O que eu lhe digo é que são números bastante acima daquilo que foram os prejuízos nos incêndios do ano 2025 ou do ano 2024”, afirmou aos jornalistas Castro Almeida.

O ministro falava aos jornalistas após uma reunião, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, com autarcas e outras entidades, na sequência do impacto da depressão Kristin.

“Desta reunião, eu não pude trazer um número da quantidade dos prejuízos. A esmagadora maioria dos autarcas não arrisca – e compreensivelmente – dar um número de qual é que é o montante de prejuízos de cada concelho. Portanto, é impossível chegar a um valor global”, declarou. Adiantando que o encontro com autarcas permitiu “perceber que a dimensão do problema é, realmente, muito grande”, o governante admitiu que o Norte e Sul do país “não têm ideia do que está a acontecer no Centro”, sobretudo na região de Leiria, onde vários concelhos apresentam problemas de “grande severidade”.

Castro Almeida reconheceu que, devido ao facto de “muitíssimas fábricas” estarem sem teto e sem “condições de trabalhar”, a situação “vai mexer nas cadeias de produção”, o que “vai ser um problema sério”.

Por outro lado, admitiu que o impacto da depressão vai obrigar a mudar prioridades em termos de investimento das câmaras. “Uma das coisas que estivemos a ver foi que há obras que estão a ser construídas com financiamento do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], têm prazos estritos para serem cumpridos e isto vai dificultar o cumprimento dos prazos”, reconheceu.

Adiantando ter pedido aos autarcas para fazerem chegar essas situações ao Governo, para o executivo “obter compreensão de Bruxelas para esses prazos, que são muito rigorosos”, Castro Almeida observou: “Se uma escola está a ser construída e se a grua vem abaixo e se os telhados vêm abaixo e o que estava construído vem abaixo, vamos ter de, necessariamente, mexer nestes prazos”.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até dia 08 de fevereiro.

 

Bruxelas garante solidariedade com Portugal e reforço da resiliência das redes

A Comissão Europeia manifestou solidariedade com Portugal face aos impactos do mau tempo, defendendo uma resposta articulada, recurso ao fundo de solidariedade e investimento em redes elétricas mais resilientes.

A mensagem foi reforçada pelo comissário para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen, que visitou Portugal para discutir políticas energéticas e habitacionais, e participou numa conferência de imprensa com a ministra do Ambiente Energia, após uma reunião bilateral. 

Maria da Graça Carvalho afirmou que o Governo português está a trabalhar “desde a primeira hora” com a Comissão Europeia para definir a melhor forma de mobilizar apoio europeu na resposta aos danos provocados pela tempestade Kristin.

“O Governo de Portugal está a articular-se e a trabalhar com a Comissão Europeia para definir a melhor forma de mobilizar ajuda nesta catástrofe”, afirmou a ministra, na conferência de imprensa conjunta.

Maria da Graça Carvalho agradeceu, através do comissário, as mensagens de solidariedade da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, dirigidas ao primeiro-ministro e a Portugal, sublinhando que estão a ser avaliadas várias opções de financiamento europeu.

Segundo a ministra, está em curso uma primeira contabilização dos danos para aferir o eventual acesso ao fundo de solidariedade da União Europeia (UE), uma vez que necessita de um valor mínimo de 1,6 mil milhões de euros, enquanto decorrem contactos sobre outras possibilidades de apoio, ações coordenadas pelos ministros da Economia, Manuel Castro Almeida.

A governante destacou o trabalho de coordenação entre entidades públicas e privadas do setor energético, sublinhando os esforços da REN e da E-Redes na reposição do fornecimento elétrico, após a tempestade ter deixado cerca de 1,1 milhões de clientes sem eletricidade.

Por seu lado, Dan Jørgensen expressou “solidariedade para com as famílias das vítimas da terrível tempestade” e com “as milhares de pessoas que sofrem com a falta de eletricidade e outras consequências muito graves”.

“O que posso afirmar muito claramente é que nós, na Comissão Europeia, estamos solidários com Portugal e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar nesta situação difícil”, declarou.

O comissário europeu elogiou a estratégia portuguesa de rápida implantação de energias renováveis, considerando-a “muito bem sucedida” e um “bom exemplo” para o resto da Europa.

Segundo Dan Jørgensen, a UE enfrenta dois grandes desafios: baixar os preços da energia e reforçar a resiliência e a segurança energética, ao mesmo tempo que descarboniza a economia para combater as alterações climáticas, objetivos que passam por uma forte aposta nas renováveis.

Para isso, defendeu, é necessário um sistema de redes “mais preparado para o futuro”, planeado à escala europeia e com maior interligação transfronteiriça, enquadramento a ser trabalhado no futuro pacote europeu para as redes elétricas (“grid package”).

O comissário adiantou que a Comissão Europeia está a rever as regras de licenciamento energético, considerando que os atuais processos “demoram demasiado tempo”, e afirmou contar com Portugal “como um dos líderes” na aceleração dessas reformas.

 

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