Parece que foi ontem, mas já passaram 15 anos desde o bárbaro assassinato do cronista social português Carlos Castro num quarto de hotel em Manhattan, no dia 7 de janeiro de 2011, um acontecimento que foi notícia em todo o mundo.
Passaram-se 15 anos, mas a brutalidade do crime faz com que ainda hoje continue a suscitar interesse e curiosidade.
Natural de Angola, Carlos Castro, 65 anos, era cronista social do diário Correio da Manhã e da estação de televisão SIC.
Natural de Cantanhede, Renato Pereirinha Seabra, 21 anos, procurava triunfar como modelo ou ator.
Seabra e Carlos Castro tinham-se conhecido no outono de 2010, altura em que o jovem começava a despontar nas passerelles. Homossexual assumido, Castro procurou conquistar o modelo 44 anos mais novo, prometendo-lhe promover a carreira e proporcionando-lhe luxos a que Seabra não tinha acesso, entre os quais uma viagem a New York para assistirem à famosa passagem de ano na Times Square. Chegaram a New York a 29 de dezembro de 2011 e hospedaram-se no quarto 3416, no 34º piso do Hotel Intercontinental, no coração da cidade.
No dia 7 de janeiro, Carlos Castro tinha combinado encontrar-se no hotel com uma amiga de Angola, Vanda Pires, bancária residente em Newark NJ. À hora combinada, Vanda e a filha estavam no hotel, mas Castro não atendia os telefonemas.
Foi nessa altura que Vanda avistou Seabra na receção do hotel e ele agiu de forma evasiva e saiu do hotel. Vanda estranhou e alertou a gerência. Funcionários do hotel entraram no quarto e Castro foi encontrado morto, sem roupa, com sinais de ter sido violentamente agredido na cabeça e sexualmente mutilado.
Renato Seabra foi detido horas depois e acabaria por confessar, dizendo que tinha começado a discutir com Castro e acabou por esfaqueá-lo com um saca-rolhas na zona da virilha e na cara. O arguido afirmou que cortou os testículos de Carlos com esse saca-rolhas e que, depois disso, despiu a roupa ensanguentada, tomou um duche, vestiu um fato e abandonou o quarto.
O julgamento de Seabra começou em setembro de 2012, mais de um ano depois do crime. A sua equipa de defesa argumentou que sofria de um episódio psicótico agudo, apresentando provas de comportamento errático e pensamentos delirantes que antecederam o homicídio. No entanto, os procuradores destacaram a brutalidade do crime e o jovem português foi condenado a uma pena de prisão de 25 anos a perpétua, que ainda cumpre. O crime já inspirou um livro publicado em Portugal (“O Caso Renato Seabra: Por Detrás das Cortinas”, da jornalista Marta Dhanis) e um filme, “Crime” (2015), realizado por Rui Filipe Torres e protagonizado por João d’Ávila e Rúben Garcia, e que estreou em Portugal para assinalar o quarto aniversário da morte de Carlos Castro.
Seabra tem 36 anos e está no Estabelecimento Prisional de Clinton, no estado de New York, mas a curta distância da fronteira com o Canadá. Trabalha na biblioteca e ajuda à missa.
É dos reclusos com melhor comportamento nesta prisão de alta segurança apelidada de “Pequena Sibéria” e o comportamento poderá determinar a sua saída da prisão.
Será em 2036 que Renato Seabra atingirá o limite mínimo da pena (25 anos) e já tem agendada para setembro de 2035 uma audiência a pedir a libertação condicional. Se o pedido for aceite, em 2036 (nessa altura com 46 anos), será deportado para Portugal e poderá reorganizar a vida junto da família.
A título de curiosidade, refira-se que a irmã de Renato Seabra, Joana Seabra, 41 anos, é médica e deputada pelo círculo eleitoral de Coimbra, integrando o grupo parlamentar do PSD na atual legislatura.





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