Os 100 anos da Senhora Maria e os 106 do Senhor Pedroso

by | Dec 3, 2025 | Eventos Comunitários

 

 

Como é que vai a vida, senhora Maria? “Quando mal. Que vá sempre assim”. Era o termo de comunicação entre quem entrava no Friends Market, ali na Brook Street em Providence, bairro do Fox Point, para se abastecer de produtos portugueses ou duas palavras, muitas vezes  de ensinamento, da parte de Manuel Pedroso, uma autêntica “instituição educativa”, agora com 106 anos de idade.

Pois a Senhora Maria viu-se rodeada de filhos, netos e bisnetos e muitos amigos, no CAFÉ NUOVO, no centro de Providence, local de excelência, no passado dia 23 de novembro, na histórica celebração centenária. 

E como o tema eram os 100 da Senhora Maria e os 106 do Senhor Pedroso, completamos com os 139 anos da vizinha igreja de Nossa Senhora do Rosário representada nas celebrações pelo padre Joseph Escobar, que através de um trabalho notável tem mantido a mais antiga igreja portuguesa, ativa, aberta e com visitas dos bispos de Providence e uma constante adesão de paroquianos. 

Foi este quadro vivido nos 100 anos da Senhora Maria que nos levam a pensar que a estrutura física e mental do ser humano é uma incógnita.

A Senhora Maria nasceu a 5 de dezembro de 1925, filha de Manuel Matos Pinheiro e Agida da Costa Pinheiro, tendo sido batizada de Maria da Costa Pinheiro. 

Nasceu em Portugal na vila de Alcaria, junto à autoestrada A-1 Norte, a 90 milhas de Lisboa, aldeia de Alcaria, de 550 habitantes, assentes em pilares, tais como a igreja, família, comunidade, simplicidade, natureza e terra. 

Aquela terra em que o pai cultivava os produtos necessários para o sustento da família. Era trabalho ardúo. Cavar a terra. Semear. Regar.  Podar as árvores. Apanhar os frutos. Armazenar. Ao mesmo tempo cuidar dos animais. Alguns eram criados para vender, outros para ajudar na labuta da terra. 

Ainda estávamos nos tempos do trabalho manual. Sem eletricidade. De sol a sol.

Mas gente, sem se aperceber descobriu a Mediterranean Diet. Não para emagrecer, mas para sustento: vegetais, frutos, feijões, pão de centeio, pão de milho, maçãs, figos. Tudo natural. Consumiam carne de porco, queijo, peixe, carne de vaca e doces em bases limitadas. 

Nas herdades nos anos de 1930 as crianças faziam parte da força trabalhadora dentro das suas possibilidades. Esta situação criava sentido de determinação, coragem, perseverança na jovem idade.

“A família foi aumentando. Seis anos depois de a minha mãe ter nascido nasceram a Prazeres, Alice e Idalina. O meu pai, que em 1917 foi soldado na Primeira Grande Guerra, estava feliz ao ver que sendo raparigas não iriam para a Guerra. Entre namoro e casamento e as peripécias da vinda para a América, em 1955 meu pai compra uma casa e loja de venda de produtos na Brook Street, que seria dentro em breve um centro de assistência a quem chegava”, refere Maria Pedroso, que estava sempre disponível para acompanhar as mulheres que chegavam, na procura de trabalho, visitas ao médico, procura de casa para residir. Nos anos de 1960 e 1970 o processo de naturalização obrigava a presença de duas pessoas que atestavam a residência dos candidatos à cidadania. A Senhora Maria foi tanta vez que já era reconhecida pelos oficiais da naturalização.

E podemos concluir com o capítulo do orgulho familiar: os filhos Eileen e Manuel, netos: Dorrie, Kristen, Phillip, Diana, Andrew, bisnetos: Kylie, Adriana, Noah, Lucia. E o último chegado Arabella. Noras e genros: Jane Pedroso, José Manuel Afonso, Mark Eaton  e Shaw Jones.

Mas os 100 anos da Senhora Maria não estão sós.

Manuel Pedroso, uma “instituição” em pleno bairro do Fox Point, virou 106 anos de vida. Manuel e Maria Pedroso já somam 76 anos de casados. E tudo isto encostado à igreja de Nossa Senhora do Rosário nos seus históricos 139 anos de serviço à comunidade. O casal foi condecorado com a Ordem de Mérito na passagem dos 105 anos de Manuel Pedroso.

 

Fotos PT/A.PESSOA:

 

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