O mercado norte-americano é aquele que mais tem crescido no turismo dos Açores

by | Jun 26, 2025 | Cultura

Duarte Freitas, secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública do Governo dos Açores, foi o convidado de honra nas cerimónias oficiais que assinalaram o Dia de Portugal na Assembleia Legislativa Estadual de Massachusetts em Boston e aproveitou a sua curta estadia nos EUA para uma deslocação a New Bedford, tendo visitado o New Bedford Whaling Museum e a Discovery Language Academy. Foi ainda alvo de receção na noite de quarta-feira no Clube Desportivo Faialense em Cambridge.

Na visita ao New Bedford Whaling Museum, tendo como cicerone o deputado estadual de MA, Tony Cabral, Duarte Freitas abordou questões como a crise habitacional, deportações, emprego, investimento, imigração, potencialidades da região Açores e o eterno problema da SATA.

Perante um grupo de conhecidas individualidades da comunidade portuguesa e luso-americana em que marcaram ainda presença o cônsul de Portugal em New Bedford, Tiago de Sousa e o deputado estadual de MA, Mark Sylvia, de Fairhaven, Duarte Freitas, antigo deputado europeu, começou por referir em relação à transportadora aérea açoriana.

“A SATA é de facto um problema que ainda não está totalmente resolvido, com um passivo à volta de 400-500 milhões de euros e chegou-se a uma situação em que ou encerrava ou iriamos pela via da reestruturação e para obedecer às regras da União Europeia – e como o negócio da aviação é muito competitivo – a UE apenas permite salvar a empresa uma só vez, ou seja, se não for possível salvá-la desta vez, terá de fechar. Ora, em 2021 apresentámos uma exposição sobre a real situação da companhia e mercê de um plano de resgate da União Europeia foi possível continuar, mediante a criação da SATA Holding, um grupo empresarial que engloba as companhias aéreas SATA Air Açores, Azores Airlines e SATA Gestão de Aeródromos, certificada pela APCER – Associação Portuguesa de Certificação, na área de Gestão da Responsabilidade Social. Esta certificação valida os processos adotados pelas empresas e sublinha o empenho da organização em promover uma cultura de responsabilidade social, integridade e dedicação à melhoria contínua”, esclareceu Duarte Freitas, que adianta que foram impostas diretrizes por parte da UE: “Foram impostas condições pela União Europeia, como por exemplo a SATA não pode adquirir mais aviões, nem pode fazer rotas que sejam deficitárias e vender mais de 51% da Azores Airlines”.

Para Duarte Freitas, o processo de privatização da Azores Airlines, neste momento na fase final de negociações, é a única via de salvação da companhia. “Se não chegarmos a acordo com o grupo interessado em adquirir a Azores Airlines corremos sérios riscos de encerrar a SATA e isso tem de ser feito até final deste ano”, esclareceu o secretário das Finanças, do Planeamento e Administração Pública do Governo dos Açores, sublinhando que a SATA continua a dar prejuízo, com 2024 a apresentar um défice de mais de 80 milhões de euros, salientando que sucessivas más gerências estão na base do problema, com rotas deficitárias. “A SATA neste momento está a assegurar as rotas do Faial, Pico e Santa Maria para Lisboa, e se não houver apoio do Governo da República, dão anualmente um prejuízo de 15 milhões de euros, para além do próprio handling da companhia, que dá também um prejuízo de 5 milhões de euros por ano e perante isto conclui-se que quando o ano inicia a SATA já apresenta um prejuízo de 15 milhões de euros das rotas do Faial, Pico e Santa Maria para Lisboa e mais 5 milhões de prejuízo de handling e isto para não falarmos dos juros das centenas de milhões que está a dever e ainda outro problema que é grave: os acordos da empresa com os sindicatos, pois tratando-se de uma empresa pública sabemos que estes acordos são todos a favor dos trabalhadores e isto cria uma situação muito difícil para a companhia, por termos de cumprir com certos requisitos legais e que têm a ver designadamente com os direitos dos trabalhadores”, esclarece o secretário regional.

Sobre a questão apresentada na reunião da passada quarta-feira, das deportações e de famílias açorianas a regressarem, Duarte Freitas referiu que a situação atual não apresenta grandes problemas. “Até ao momento não houve qualquer fluxo significativo de pessoas a regressarem e na realidade temos absorvido com naturalidade algumas pessoas que têm regressado e espero que tudo se mantenha normal como até agora”.

Sobre a crise habitacional, o secretário regional refere ser uma crise muito grave na Europa, particularmente em Portugal, com as verbas do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) que visa implementar reformas e investimentos destinados a repor o crescimento económico sustentado e muitas destas verbas destinam-se à habitação. “Nos Açores temos um conjunto de projetos de investimento na ordem de mais de 60 milhões de euros para este sector mas a verdade também é que o problema habitacional mais premente tende a diminuir precisamente pelo aumento de construção e que tem de certa forma resolvido alguns problemas e a nossa expetativa é que com aquilo que a iniciativa privada está a fazer e com aquilo que vamos fazer no plano do PRR a situação fique mais estabilizada nesse aspeto. De referir que a crise inflacionista de 2022-2023 fez subir as taxas de juro tornando mais difícil para as famílias o crédito da habitação, além de que a banca dificultou os empréstimos para este sector”, esclarece Duarte Freitas, acrescentando no entanto que o Governo da República implementou um conjunto de medidas que se estendeu aos Açores para facilitar nomeadamente os jovens casais com garantias para a parte que a entidade bancária não quer contrair empréstimo.

Francisco Viveiros, presidente da Casa dos Açores da Nova Inglaterra, um dos presentes no encontro com Duarte Freitas, abordou a questão da marca Açores e da falta de aproveitamento de oportunidades de promover os Açores, as suas potencialidades e os seus produtos.

“A marca Açores é um valor com grande potencial e poderia ser mais publicitada e trabalha na diáspora açoriana, pois aqui não conhecemos esse valor, uma vez que do outro lado do Atlântico continua a apostar-se num mercado da saudade, que já foi mais importante e agora constatamos que existe um “mercado da replicação”, ou seja, os Açores estão a mudar de tal forma quem daqui visita a nossa região tenta “replicar” o que viu lá e gostou tentando introduzir aqui e penso que isto tem de ser trabalhado e aproveitando a rede das Casas dos Açores exatamente por isso e podemos nós aqui ser investidores na Região”, referiu Viveiros, ele que tem abordado este tema há vários anos, tendo ainda referido o não cumprimento de promessas de outros governantes anteriores aquando da sua visita a esta região, nomeadamente no que se refere à publicidade institucional nos órgãos de comunicação social portugueses da diáspora.

Duarte Freitas falou ainda da importância do mercado norte-americano nos Açores, tendo mesmo reiterado: “Cada vez mais o mercado norte-americano é aquele que cresce mais no turismo dos Açores”, finalizando a sua intervenção com a “promessa de não fazer promessas” tendo no entanto prometido levar junto do presidente do Governo Regional dos Açores algumas questões abordadas neste encontro no New Bedford Whaling Museum.

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