Vilamoura, Faro, 20 fev 2026 (Lusa) – Filippo Ganna estreou-se finalmente a vencer na Volta ao Algarve, com o ciclista italiano a impor-se no contrarrelógio da terceira etapa no qual o espanhol Juan Ayuso reforçou uma amarela que optou hoje por não usar.
Depois de ter sido privado de uma vitória ‘limpa’ na primeira etapa da passada edição, na caótica (e anulada) chegada a Lagos, o corredor da INEOS festejou pela primeira vez na ‘Algarvia’, à quarta participação, deixando Juan Ayuso (Lidl-Trek), que hoje foi para a estrada sem a amarela vestida, a seis segundos.
Numa terceira etapa em que João Almeida (UAE Emirates) poderá ter hipotecado definitivamente o sonho de vencer a classificação geral – foi apenas 10.º e já está a 44 segundos do espanhol -, o sueco Jakob Söderqvist (Lidl-Trek) foi o terceiro, a oito segundos, enquanto Paul Seixas (Decathlon) terminou na quarta posição, a 13.
“Estou muito feliz. Tenho regressado ano após ano e, finalmente, consegui o triunfo aqui. Em 2023, fui segundo na geral e tive bons resultados, mas até que enfim chegou a vitória”, afirmou Ganna, de 29 anos.
Antigo bicampeão mundial (2020 e 2021) e vigente vice-campeão olímpico da especialidade, o italiano ‘voador’ percorreu os 19,5 quilómetros do cénico ‘crono’ de Vilamoura em impressionantes 21.53 minutos, a uma média de 53,465 km/hora.
Ganna era talvez o principal favorito e confirmou-o assim que saiu para a estrada: estabeleceu o melhor tempo no ponto intermédio e, na meta, destronou Söderqvist, o vigente campeão mundial de sub-23, que ficou pouquíssimo tempo na ‘cadeira quente’.
Faltavam chegar os homens da geral, mas também Stefan Küng, que por duas vezes venceu contrarrelógios na Volta ao Algarve (2019 e 2023); no entanto, hoje, o suíço da Tudor não foi além do sétimo lugar, a 28 segundos do corredor da INEOS.
Antes de Almeida entrar em ação, outro português esteve em destaque, no caso António Morgado (UAE Emirates), o atual bicampeão nacional de contrarrelógio, que quando terminou o seu exercício era sexto na etapa – acabaria em 13.º, a 56.
A surpresa chegou quando Paul Seixas foi para a estrada, sem a camisola branca vestida, e foi ainda maior quando Ayuso iniciou o seu exercício, com o equipamento da sua equipa e não com o símbolo da liderança da geral, uma situação completamente inusitada e nunca vista na prova portuguesa.
“Conversámos com a organização e com a União Ciclista Internacional (UCI) e entenderam que para nós era importante sair com os fatos de contrarrelógio, porque as equipas investem muito dinheiro e tempo para criar um fato rápido. Para que houvesse igualdade de condições entre todos, deram-nos permissão para sair com a roupa da nossa equipa”, justificou o espanhol da Lidl-Trek.
Embora tenha abdicado de a vestir, Ayuso saiu de Vilamoura com a amarela reforçada, tendo agora sete segundos de vantagem sobre Seixas, o adversário que parece ser o único capaz de batê-lo até domingo, quando o pelotão da 52.ª Volta ao Algarve subir ao alto do Malhão, e que hoje não quis arriscar demasiado, como desabafou ao cortar a meta.
“Esperava perder algum tempo, mas não tanto [para Ayuso]. Parabéns a ele, penso que está em ótima forma”, resumiu João Almeida aos microfones da Eurosport, admitindo que só lhe resta atacar no último dia.
O ‘crono’ provocou uma pequena revolução na geral, com Kévin Vauquelin (INEOS) a subir a quarto da geral, a 57 segundos, e o seu colega neerlandês Thymen Arensman a saltar para quinto, a 01.01 minutos.
Também Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe) entrou no ‘top 10’ – é oitavo -, depois de ser nono na etapa, com Oscar Onley (INEOS) a ser o derrotado da jornada, ao descer de quarto a sétimo.
No sábado, os homens da geral cedem o protagonismo aos sprinters, nos 175,1 quilómetros da quarta etapa entre Albufeira e Lagos.






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