Carlos Cordeiro demitiu-se da presidência da US Soccer

 


Carlos Cordeiro não resistiu à chamada guerra dos sexos do futebol americano e demitiu-se da presidência da federação americana de futebol (US Soccer)
O luso-americano apresentou a demissão do cargo depois de representantes da federação que dirige terem feito declarações consideradas discriminatórias em tribunal, no julgamento que opõe a federação às jogadoras da seleção feminina que exigem salários iguais aos da equipa masculina.
Num documento apresentado em tribunal, a federação defendeu a diferença salarial entre homens e mulheres com o facto de as jogadoras serem “menos dotadas tecnicamente” e “terem menos responsabilidades” que os jogadores.
Estas justificações levaram Megan Rapinoe, capitã da seleção feminina de futebol dos EUA e eleita melhor jogadora do mundo, a considerar “cruel” e “inaceitável” a posição do líder federativo.
Carlos Cordeiro pediu desculpas, justificando que não comunga da opinião do organismo, mas assumiu “toda a responsabilidade” e demitiu-se.
No cargo desde fevereiro de 2018, Cordeiro apanhou com um processo por discriminação com base no género por parte das jogadoras da seleção na Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego.
Antes da Campeonato Mundial Feminino de França, no qual os EUA revalidaram o título obtido em 2015 no Canadá, as internacionais entraram com uma ação por discriminação de género contra a Federação de Futebol e o processo começará a ser julgado no próximo 5 de maio no Tribunal Federal do Distrito de Los Angeles.
Nos EUA o futebol feminino é mais credenciado internacionalmente que o masculino, tendo a equipa nacional sido campeã mundial por três vezes. Razões mais do suficientes para elas exigirem pagamento igual para homens e mulheres em representação da seleção.
A federação disse que paga às jogadoras da seleção nacional um salário base de $100.000 por ano e um adicional de $67.500 a $72.500 por jogadora como salário por jogar na Liga Nacional de Futebol Feminino. As mulheres também têm benefícios de assistência médica e um plano de reforma.
Os salários dos profissionais do futebol masculino são muito diferentes e variam de $25.000 a $300.000 por jogador.
O próprio sindicato que representa a seleção masculina manifestou-se a favor da reivindicação feminina.
Entretanto, a USWNT diz que as jogadoras da equipa nacional campeã do Campeonato do Mundo receberam mais do que os homens de 2010 a 2018.
De acordo com uma carta divulgada por Carlos Cordeiro, a federação pagou às mulheres 34,1 milhões de dólares em salários e prémios de jogos, enquanto que à seleção masculina pagou 26,4 milhões. Estes números não incluem benefícios recebidos apenas pelas mulheres, como cuidados de saúde e pensão de reforma.
Acresce que, entre 2009 e 2019, a seleção feminina disputou 238 jogos que renderam 101,3 milhões de dólares, enquanto a masculina participou em 191 jogos com 185,7 milhões de receita.
Carlos Cordeiro renunciou à presidência da US Soccer e sucedeu-lhe a vice-presidente Cindy Parlow Cone, que se torna a primeira mulher presidente da federação nacional de futebol.
Cindy é ex-jogadora da seleção nacional e atuará como presidente da federação até à próxima assembleia geral.
Cordeiro nasceu em 1956 em Bombaim, filho de mãe colombiana e pai indo-português. Presidiu à USSF (United States Soccer Federation) de 10 de fevereiro de 2018 até 12 de março de 2020.