Minhas asas de terra e mar

 

Na canga do meu boi
Coloco uma flor de Maio
 
Na rabiça do meu arado
As penas do meu penar
 
No cabo da minha enxada
O meu cuspo e meu suor
 
Nas terras da minha lavra
A semente do meu amor
 
Os frutos quando vierem
Serão dados aos amigos
Desde batatas a figos
Sem dinheiro a pagar
 
Que deste mundo eu só quero
A areia do meu bem estar
Só quero ter das gaivotas
As asas do meu voar
 
Quero ter palha por cama
E o céu para pensar
E àgua fresca da fonte
Para me dessedentar
 
E à noitinha ao deitar
Quando enfim o sono vem
Ter o abraço apertado
D’Álguém que me quer  bem