A linguagem do Amor

 

O cão da Kathy gosta de mim.
Podia mesmo dizer que ele me ama.
Quando  nos encontramos
Ele não sabe como demonstrar o seu amor.
Ele sente-se tão emocionado
Que não pára de girar, ofegante, em volta de mim.
Eu lhe digo que se acalme, que tenha paciência.
Mas ele não sossega, anda em volta
Beija-me as mãos, beija-me o rosto
Bate-me nas pernas com a cauda
Num rodopio, numa ânsia
De me dizer o que sente
De me dizer que é meu amigo, que gosta de me ver
E volta a lamber-me as mãos e a lamber-me o rosto
E dança e saracoteia, num remoinho
Dizendo-me que me ama, que é meu irmão.
Eu não o compreendo, mas digo-lhe
Na minha imperfeita linguagem, que o entendo
Que a linguagem do amor é universal
Não tem palavras. Bastam os gestos e o contacto
E que a linguagem da vida
É misteriosa e sublime.