Dia de Portugal

 

Os portugueses da diáspora estão envolvidos por estes dias nas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas. E New Bedford, que um dia foi crismada como capital dos portugueses na América, não podia fugir à regra. Na verdade, foi no porto desta cidade baleeira que foram lançados os primeiros genes, as primeiras raizes  da portugalidade, com a chegada dos primeiros baleeiros, especialmente do Pico e Faial, aqui chegados depois de meses de trabalho escravo, a bordo dos barcos americanos.

E eles vieram e foram ficando, amanhando a terra, criando a vaca, limpando terras e construindo muros de pedras soltas, e a batata e a couve passaram a crescer mais verdes e saborosas, quando lhes falavam em português. Atrás vieram as mulheres e os filhos, e estava lançado o germe das primeiras comunidades portuguesas neste continente. O resto é da  história.

E agora aqui estamos nós, herdeiros, dessa epopeia de trabalho e sacrifício e dos séculos de cultura e tradição, que nos ligam à velha Lusitânia e aos gigantes que deram “novos mundo ao mundo”).

E são esses laços familiares que nos ligam às tradiçoes, à cultura e ao modo de estar no mundo da comunidade  humana portuguesa, que viria a descobrir e a espalhar-se até aos confins do mundo conhecido. E a comemoração deste dia está ligado à memória de Luís Vaz de Camões, o poeta máximo da língua e do sentir aventureiro e amoroso dos portugueses, com todas as qualidades e defeitos inerentes à raça latina a que pertencemos.

O Dia de Portugal , de Camões e  das Comunidades Portuguesas é a celebração  daquilo que nós somos, aventureiros, poetas, idealistas, sonhadores e de esforçados desbravadores de mundos, crentes em milagres e no destino que é o fado de todos nós, mas sepre saudosos do pedaço de chão onde ocorreu o nosso Nascimento. E este  é o significado, o tema e o sumo anímico e histórico do Dia de Portugal e de Camões.

E os que residem neste país que ajudamos a desbravar e a progredir, e especialmente nesta cidade baleeira, onde “engatou” a primeira raíz da lusitanidade neste continente, têm razão para celebrar a visita de alguns representantes de Portugal.

E para que festa esta ficasse completa, não faltou música, sardinha na brasa, as deliciosas e tradicionais malassadas açorianas, e alguém disse coisas  bonitas e patrióticas, e os portugueses, latinos e toda a “malta” não portuguesa que por aqui anda, como nós, passearam, sorridentes, na Avenida, enquanto a música, os dançares e o fado encheram de som todo aquele espaço que um dia pertenceu aos nossos irmãos índios pele-vermelha.