“Ó Pá” Nosso

 

 

A Ti, meu Pá, meu irmão,

Hoje não Te ofereço flores,

Apenas Te peço e suplico,

Que te lembres dos irmãos

Com fome e dores,

Angústia e incerteza,

Fràgeis de corpo e de coragem,

A quem o Pai parece ter esquecido,

Ou talvez não.

Mas eu penso cá na minha,

Que o teu coração humano,

Sofria por quem sofria,

Tinha dores, ou nada tinha.

Eu sei que o Pai não pode atender

A todas as perguntas dos patetas

Como eu. Ele tem de cuidar do

Equilíbrio dos planetas,

da limpeza do Paraíso.

E de preparar o mundo

Para o dia de Juízo.

Quando eu era menino,

Minha Mãe me contou

Que tu, rapazinho como eu,

Foste ao templo discutir

com os doutores da lei.

E eu admirei tua coragem.

E contigo falei e te contei,

Que meu pai não me deixava ir

Prá forja do Ti Sebastião,

Tocar o fole e ver o velho

Martelar o ferro em brasa.

E o filho, o António “Ruço”,

Meu companheiro de brincar,

Picando as foicinhas.

Era assim que eu contigo falava,

Recordas-te?

E agora, meu PÁ, meu irmão,

Contigo falo e converso,

Sem jeito ou rima no meu verso,

Só com saudades no coração.