Manuel Pedroso celebrou 103 anos de vida

 

Sempre considerei as ações dos homens como as melhores interpretes dos seus pensamentos 

 

Sentado atrás do balcão no seu típico banquinho, Manuel Pedroso recebia os parabéns dos 103 anos de idade. O Friends Market é um anexo popular da “Brown University”. Ali o aluno, a caminho da universidade, engraça com aquela figura atrás do balcão. “Se tens dois minutos senta-te aí e houve: Portugal é um país…” E no dedilhar de memórias traça as linhas das origens. Manuel Pedroso ao longo de uma vida tem criado um imenso leque de amizades que se regressam a Providence. Já é o senhor doutor. O senhor engenheiro. O senhor médico. O senhor advogado, que Manuel Pedroso recebe, como seja o êxito de um neto.   
Fez 100 anos. Rodeado de gente dos mais diversos quadrantes fez 101 com parada automóvel. Estávamos em tempo de pandemia. Não podia haver aglomerações. Nos 102 anos foi idêntico. Como diz o nosso amigo, Monsenhor Victor Vieira, todo o aniversário tem de ser festejado. Não sabemos se chegamos ao próximo. E quando se roda na ordem dos 100 os perigos são ainda maiores. Mas lembrando o homem e sua obra, lá temos estado. A poucos minutos da Brown University, onde não entrou, mas ensinou aos alunos que pararam no Friends Market no seu trajeto diário para as aulas onde ficava Portugal. A epopeia dos descobrimentos. Quem foi Luís de Camões. Quem foi Theófilo Braga e muitos outros que lhe vai mostrando em diversas obras escritas. Se não pedi para vir não peço para ir. Faz-nos lembrar José Moniz, autor das deslumbrantes iluminações da fachada da igreja do Senhor Santo Cristo em Ponta Delgada, que no final das festas perguntava ao Senhor Santo Cristo: “Senhor gostaste das iluminações? Para o ano cá estarei novamente. Como quem cala consente cá estarei novamente para o ano”.
E Manuel Pedroso pensa de forma semelhante. “Se não pedi para vir não peço para ir. E já somo 103. E a caminho dos 104 anos”.
Deixava transparecer a alegria de mais um ano. E teima em abrir o Friends Market diariamente pelo meio dia. Continua a vender o Portuguese Times. E quando há especiais é certo e sabido que pelo fim da tarde já está a chamar: “Traga mais jornais que já vendi tudo”. O poder da fotografia não tem limites. Como costuma dizer um jornal nos Açores: “Se não és visto não existes”. E esta existência só se consegue através da foto. E como tal o Friends Market estava repleto de fotos que ilustram o trajeto de Manuel Pedroso.