Luís Mendes, um português no Ground Zero

 

Luís Mendes nasceu há 61 anos em Lisboa, mas vive há muito em New York, sendo arquiteto de profissão (foi ele quem desenhou o projeto da igreja dos portugueses no bairro de Yonkers). 
Em 2001, Luís Mendes era comissário assistente de projetos especiais no departamento de Design e Construção do municipio de New York e, na manhã de 11 de setembro, foi chamado de urgência ao World Trade Center. Um carro da polícia foi buscá-lo a casa, deixou-o no local dos atentados e o português passou a liderar a operação de limpeza dos escombros.
Nos primeiros dias, a prioridade foi encontrar sobreviventes, operação levada a cabo por mais de três mil homens trabalhando em três turnos 24 horas por dia.
A par das buscas, os destroços tinham de ser retirados com cuidado para recuperar restos mortais que permitissem determinar a identidade das vítimas para que as famílias pudessem sepultar os entes queridos e, ainda hoje, mais de metade das cerca de 3.000 vítimas está por identificar.
A operação de limpar o Ground Zero (o local onde existiam as Torres Gémeas do WTC), demorou até maio de 2002 e Luis Mendes passou então a liderar a  construção do Memorial 9/11 e do Museu, o que ele classifica de o “pior e o mais gratificante” da tragédia imensa do WTC.
O memorial foi inaugurado a 11 de setembro de 2011 e o museu a 21 de maio de 2014.
Obra feita, o arquiteto, que continua a ser vice-comissário de projetos especiais da cidade de New York, passou a coordenar outros projetos de reconstrução e esteve à frente do projeto Build it Back Sandy, projeto orçamentado em 2,2 biliões e que envolveu a reconstrução de mais de 3.000 casas destinadas a famílias desalojadas pelo furacão Sandy.
Desde o ano passado, o arquiteto português tem estado envolvido noutro projeto de emergência relacionado com a pandemia da covid-19 e que foi a ampliação de dois hospitais de New York com mais 350 leitos para acolher pacientes.

 

• Eurico Mendes