FABRIC 2020, a arte e cultura virtual no imaginário de um show da vida de uma cidade que é histórica

 

 

 

Anoiteceu. Eram 8:30 da passada sexta-feira. Fall River viveu entre o virtual e pouco presencial: O FABRIC 2020. Arte e cultura. 
Foi a segunda edição e tal como nos tempos atuais, incerta. Fados, fadas e violas, projetados nas paredes do City Hall. Aqui, também o tempo incerto. Vento e chuviscos. Mas os mais corajosos e diremos astutos e curiosos na descoberta, marcaram presença. As guitarras e os fados podiam ser vistos e admirados na parede do City Hall, da parte da frente para a Main Street e do lado para a Bedford Street. Contornando o edifício do City Hall e ladeando a escadaria principal duas quedas de água e aqui um tributo a Fall River, quando o Quequechan River atravessava a cidade e desaguáva na baía. Mostravam a criatividade da artista, Tracy Silva Barbosa. 
Este espetáculo era visível da estrada 195 e de vários pontos fronteiriços ao City Hall de Fall River.  
Testemunhamos: cultura institucional e galerias numa tentativa para parar a propagação do Covid-19. 
Em pararelo, todos os esforços foram feitos para preencher a lacuna existente. Criaram-se  programas virtuais, desenhados e  orientados em tempo de quarentena. Numa ajuda para melhor navegar pelo programa, Portuguese Times publicou o programa sob a liderança de Michael Benevides, conseguindo manter a cultura mais próximo nestes momentos de isolamento social. 
E esta atitude refletiu-se no êxito do FABRICS arte e cultura 2020.   

 Fados, fadas e violas. Era um quadro que se viveu no Sagres. Um Sagres da gastromia e do Navio Escola Sagres. Mas a imaginação criadora do artista transporta a arte em tempo de pandemia à luz da lua. Génios de uma geração de artistas. Dois dias de um espetáculo inédito. Uma celebração virtual. Incrível. Diversificada. Em espaços que contam histórias, imaginativas. Terra, arte e cultura. Fall River. O contexto, o excitamento, a história. O coração da comunidade espelhado no imaginário da noite. Os locais eram emblemáticos. Os conteúdos estão no coração da comunidade. Algo excitante e ao alcance de todos. As audiências em espaços fechados, matendo-se afastados, como mandam as regras. Todos os cuidados eram poucos. 
Mas tivemos as audiências em espaços abertos. A rua. Cabelos em desalinho. A expressão criativa numa poderosa contribuição da cura de uma situação menos boa. Os morais são história da primeira edição. Mas estão lá. Fizeram “front page”. Fazem história visível. Curiosamente ao lado da Tabacaria Açoriana. Só por si. Também histórica. 
FABRIC 2020, festival que surpreendeu Fall River em 2019 nas componentes de arte e cultura, regressou em outubro, 16 e 17 de 2020 à velha cidade dos teares. 
O festival deste ano apresentou um formato inovador para os que estiverem presentes poderem experimentar o impacto da cultura popular enquanto promovem solidariedade social.
FABRIC 2020 procurou inspirar a narrativa que celebra e reflete o urbano e social de Fall River, a herança industrial e fábricas de tecelagem, as profundas raízes culturais com Portugal. 
Organizado pela Casa dos Açores da Nova Inglaterra e sob a liderança de Michael Benevides em Fall River e sob a curadoria de empresários de arte internacional Jesse James, Sofia Carolina Botelho  e António Pedro Lopes, elementos que visaram iluminar e inspirar, enquanto respeitaram a obrigatoriedade da distância fisica. 

As correntes limitações de deslocações internacionais e os ajuntamentos de público alteraram por completo o planeamento do festival, assim como os talentos, não prejudicando a sua engenhosidade e criatividade. 
O trio curador James, Botelho e Lopes, estiveram em Portugal e trabalhando diligentemente com a equipa local de produção para apresentando um dinâmico e hibrido festival.
Os dois dias FABRIC 2020 foram uma combinação fisica, multi-disciplinada intervenção de artistas na baixa de Fall River com uma única experiência virtual envolvente e culturalmente gratificante.
“Acreditamos no poder da criatividade e da conversação coletiva. É sob  o ponto de vista radical que estivemos perante o desafio e neste preciso momento reinventar formas que poderem ativar a arte e acordar a cidade.
Acima de tudo o referido desafiamos o impossível e fizemo-lo com respeito e na certeza de que toda a gente se sentia segura, curiosa e bem vinda”, sublinharam os curadores James, Botelho, Lopes. 

Fados, Fadas e Violas
Tal como a edição piloto do ano passado, FABRIC 2020 trouxe atuações internacionais a Fall River. Num tempo de limitação, tivemos cinco concertos, cada um de 30 minutos, que foram gravados antecipadamente para as audiências em Fall River. 
Cada espetáculo foi projetado em emblemáticos edificios da cidade. No City Hall de Fall River. Os artistas trabalharam em formas de fado, canções portuguesas, e instrumentos que reinterpretaram principios de identidade e história. 
Os artistas foram: Ricardo Rocha, guitarrista, Gaspar Varela, neto da fadista Celeste Rodrigues, Rafael Carvalho, viola da terra. Viola de 2 corações, com 12 cordas. O homem é artista. É professor de música e deu aula. Ao ar livre. Noite com chuviscos.
Duo Lavoisier, poesia de Miguel Torga
Todos os artistas convidaram a audiência a usar a imaginação para imergir nas novas formas de artes, durante a pandemia. 
Os espetáculo tiveram lugar a 16 e 17 de Outubro, entre as 8:30pm e as 11pm.

Performative Walks Series
“Vem. Caminha comigo”, foi um seminátio online, convidando os participantes a (re)descobrir Fall River, incluindo a baixa histórica da cidade, o Quequechan River Rail Trail. Desenhado e orientado pelo coreógrafo e artista contextual Gustavo Ciriaco, via seminário virtual a partir de Lisboa. Toda a caminhada convidou cinco participantes num mapa colaborativo de uma aventura urbana antecipada.
Os temas do “Come Walk With Me” foram:
 - Greetings from Fall River:
Um passeio através de um bilhete postal na baixa de Fall River.
- Veja através da minha voz e cheira através dos meus olhos. Um som deambulatório através da natureza ao longo do Quequechan River Road Trail.
“Quedas de Agua” reimaginado, reencenado, as quedas de água de Fall River. Um concurso de poesia para os habitantes da cidade.
Um guia local teve um encontro com os participantes em dia e hora designados e descoberta dos “sites” de acordo com a sua única colaboração. “Come Walk With Me”, com sessões que tiveram lugar a 17 de outubro pelas 10am, 11am, 11:30am, 2pm, 2:30pm e 3 pm.

Show em Grupo
Residentes e artistas de Fall River Harry Gould Harvey IV e Brittni Ann Harvey foram os curadores de um grupo de artistas locais, imergentes do chão da Merrow Manufacturing. Fundada em 1838 e conhecida pela sua herança na produção de máquinas de costura e tecelagem. A Merrow Manufacturing baseada em Fall River colaborou com o FABRIC nos seus 4 mil pés quadrados. Os artistas que estiveram envolvidos, foram: Michael Assiff, Brittni Ann Harvey, Gregory Kalliche, Zachary John Martins, Susan Mohi Powers, Jeffrey Alan Scudder, Flannery Silva, Faith Wilding, Allyson Vieira. Portuguese Times esteve lá. Fotografou. Vão ser momentos inéditos. Únicos. 

Os visitantes caminharam em circular, com separação de entrada e saída. A capacidade foi limitada.
The Group Show teve lugar a 16 de Outubro das 5pm-8pm e 17 de Outubro das 2pm-7pm.

Art Instalations
Três grandes sites, específicos de arte foram visionados atraindo a atenção para 1.4 milhas do Quequechan River Rail Trail. O estúdio de desenho WSDIA (WeShoudDoItALL) de Brooklyn, NY fez instalação arquitetónica no Trail, reimaginando os futuros lugares.
A artista Tracey Cockrell, apresentou o som no Trail 
com estudantes da UMASS-Dartmouth. 
Em adição,Tracy Silva Barbosa, multimédia artista baseada em New Bedford, criou uma queda de água que foi projetada no Fall River City Hall e que podia ser vista da estrada 195. Foi um tributo a Fall River quando o Quequechan River corria pela cidade e caia fundo na baía. 
O projeto da Tracy Barbosa foi visto a 16 de outubro do anoitecer ao amanhecer.
O WSDIA e instalação de Tracey Cockrell foi vista dia 17 de outubro pelas 10am. 

Past-Ups
Musico e saxofonista Chase Ceglie, formado em Educação Musical pelo Berklee College of Music, em Boston, fez uma gravação ao vivo de originais do estúdio em casa que estiveram à disposição no sistema QR. A 16 de outubro um code único esteve à disposição online e foi visto em autocolantes pela cidade de Fall River e diversas cidades de Massachusetts. Chase Ceglie de 22 anos é natural de Newport RI, foi reconhecido pelo seu talento no album “Onion”. E aditamento uma companhia portuguesa com estudios de autocolantes Halfsudio, desenvolveu um gráfico inspirado na canção de Jorge Ferreira “Viva Fall River”. Estas séries “past-ups” foi visto em lugares públicos em Fall River desde 16 de outubro.
“As atividades desenvolveram-se de acordo com as limitações dos tempos de pandemia. FABRIC 2020 foi um exercício de imaginação e eu estou orgulhoso pela forma como a equipa realizou a nossa visão e trouxe esta experiência cultural de uma forma segura à comunidade”, disse Michael Benevides, da Casa dos Açores da Nova Inglaterra.
“A cidade de Fall River teve um dedicado grupo por detrás do FABRIC, adaptando este ano à situação de pandemia”, sublinhou por sua vez o mayor de Fall River, Paul Coogan, que acrescentou: “Num tempo em que as artes estão limitadas em Fall River e todos os EUA, estamos felizes pelo facto de os residentes de Fall River terem tido um festival em segurança. 
FABRIC continuará a mostrar a todos os que estiveram presentes que Fall River é uma cena cultural digna de ser vista”, concluiu o mayor Paul Coogan.  

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa