Ande, pela sua saúde

 

 

Sem querer ser aquilo a que por norma se chama de “um gajo chato”, aproveito este tempo de festa e comilança para uma mui saudável despedida de ano e o desejo de que o início do próximo traga a todos uma maior consciencialização e compenetração daquilo a que chamo - tratar melhor do pêlo.

Infortunadamente as estatísticas correm em sentido contrário e rezam que a América está cada vez mais gorda e que a indústria farmacêutica não tem mãos a medir, tal o aumento do consumo dos seus mais variados produtos, todos eles com anúncio de salvação e prolongamento de vida, o que na maioria dos casos está longe de ser verdade.

Deixando para os especialistas na matéria um maior e mais profissionalizado discurso digo apenas que compete a cada um de nós escolher o seu meio de vida na certeza de que se o fizer mais acauteladamente vai deixar, não em todos os casos, infelizmente, de depender dos comprimidos e dessa epidemia de drogas que assolou um país outrora tão orgulhoso e tão saudável.

Se o meu caso pessoal puder servir de exemplo e se através deste despretensioso discurso conseguir empurrar alguém para a estrada ou para o ginásio, se puder levar alguém a trocar as ociosas manhãs, em muitos casos banhadas de excesso de café e cachaça  por uma caminhada ou uma corrida no “treadmil” seguida de um refrescante banho aflorado com musgo real ou irish spring, se conseguir isso – dizia eu – ficaria tremendamente satisfeito e orgulhoso.

Os costumes simples e afortunadamente baratos fizeram de mim um homem mais novo e muito mais vigoroso ao ponto de poder afirmar que aos 68 anos gozo de melhor saúde do que quando tinha 45.

Levanto-me todos os dias às 6 de manhã, faço entre três a quatro milhas de apressada caminhada, pratico natação no meu querido boys club e tenho tempo para estar no meu “part-time” às 9, passando antes pelo Dunkin Dunuts para um café médio sem açúcar e só com um pingo de leite. Trabalho não é  bem assim, porque aquilo é mais um passeio de carro e convivência alegre com gente boa e competente não fosse a Prima Care P.C. fundada pelo saudoso médico Américo de Almeida, uma companhia com excelente reputação.

Almoço bem todos os dias mas escolho cuidadosamente as minhas refeições confecionadas por mim ou pela minha Matilde. Nada de refogados, guisados e outros “pratos” estupidamente pesados e de digestão demorada. Como gosto mais de peixe do que de carne junto o útil ao agradável e faço 65 por cento das minhas refeições com peixe fresco, uma vantagem para os felizardos como eu que vivem nesta zona do planeta à beira do mar plantada. O frango é outra das minhas preferências pelo que o meu grelhador não escolhe inverno ou verão – funciona sempre. Doces? É preciso evitar isso mas, devo confessar, aqui e ali caio na tentação.

Antes da refeição “mamo” um “red label” com muito gelo, segue-se dois copos de bom vinho com a comidinha mas não bebo cachaça depois do café. “Óh, yes, o charuto diário não falha e esse é, sim senhor, o meu pecado dominante. Deus me perdoe, se é que Deus anda preocupado com um descrente como eu.

Tudo simples, como afirmei e sem sacrifícios extra. Porque, meus amigos, essa coisa de encher o pandulho, tomar uma travadeira e gostar demasiado da vida ociosa é um costume, uma mania como outra qualquer, mas tem custos incrivelmente dolorosos.

Se neste princípio do novo ano fizer uma tentativa, por mínima que seja, de mudar de vida, vai muito cedo notar a diferença no seu corpo, na sua disposição, no seu aproximar das pessoas e das coisas. Às tantas, fá-lo por gosto, por prazer e, lá está, criou para si uma mania saudável.

Da minha parte espero que não digam que estou “armado” em cão com pulgas, frase muito usada pelo sargento chico dos meus tempos de força aéra na antiga Lourenço Marques. 

Afinal, o que desejo é que todos tratem melhor da sua saúde e gozem o pouco tempo que temos para andar neste cada vez mais complicado e intoxicado mundo dos nossos dias.

Um abraço e um novo ano com muita saúde.