Expetativa

 

Sim, caros amigos, estamos vivendo todos um momento de expetativa. De esperança, de receio, de incerteza quanto ao futuro desta nossa “nação de nações”. Um presidente vai e aceitou a derrota, e outro vem, e espera no corredor, o momento de entrar em ação. Foi eleito legalmente por obra e graça do velho sistema que enforma esta demo­cracia. Que alguns dizem ultrapassado, mas que tem funcionado menos mal desde os tempos primários do esclavagismo. A oponente teve mais de dois milhões de votos, mas perdeu. E aceitou a derrota, como lhe competia. Foi uma campanha como nunca outra eu presenciei nesta terra que me acolheu e da qual também sou cidadão.

O novo chefe fez muitas promessas. De trabalho, fartura e dinheiro a rodos. “Winning, winning, winning. E eu e todos nós, desejaríamos que tudo isso fosse realizável e possível. Pela primeira vez, temos um governo composto quase exclusivamente de milionários, bilionários e generais reformados. Quer isto dizer que vamos ter um governo rico e forte? No domínio das possibilidades desejariamos que tudo isso acontecesse. No entanto há uma núvem de incerteza a escurecer o panorama do futuro, devido ao caráter impulsivo e imprevisível do futuro chefe. Tata-se da primeira experiência de um homem de negócios a ocupar um cargo político e diplomático de extrema responsabilidade. Uma campanha política tem muito de  artifi­cialismo e de show televisivo, de palmas e gritos e acusações sem fundamento. Mas governação a sério é coisa responsável e perigosa.

Há que reconhecer que Donald Trump é um “showman” carismático com extraordinário poder de convencimento. E essa é a razão de ter conver­tido à sua causa milhões de eleitores que por certo nunca haviam votado pelo Partido Republicano. A maioria era gente humilde, operária que, histo­ricamente tem estado ligada ao Partido Democrá­tico, considerado, desde o Presidente Roosevelt, como o “Partido dos Trabalhadores e dos Sin­dicatos”. No entanto Donald Trump, com a sua capacidade oratória e o seu carisma de showman, conseguiu atrair à sua causa milhões de trabalha­dores pelo Partido Republicano tradicio­nalmente considerado como representativo das classes superiores. E daí o facto de muitos líderes repu­blicanos começarem a ingressar no cortejo de Trump, só depois de terem a certeza de que ele tinha possibilidades de ganhar.

De qualquer modo, depois de uma campanha como outra ainda não aconteceu neste país, a de­mo­cracia funcionou, como lhe competia, e o sistema de liberdade e respeito pela pessoa humana foi preservado. A violência que houve foi apenas de palavras e não de tiros, como acontece numa grande parte do mundo, onde a liberdade de pensamento, de ação e de crença ainda não existe. E onde a religião e o fanatismo, aliados ao poder político, formam uma argamassa extremamente explosiva.

E depois de tudo isto e dos parabéns ao vencedor, resta saber se o “belo sexo” será um ser respeitável no futuro governo, ou apenas um objeto de “show” e de prazer.