LUSO-AMERICANO É CHEFE-EXECUTIVO DE RESTAURANTE FREQUENTADO POR CELEBRIDADES EM ZONA HISTÓRICA DE BOSTON

 


Douglas Rodrigues cozinha para estrelas de séries como ‘Game of Thrones’ e ‘Strange Things’
 

 

Quando o elenco do filme ‘New Mutants’, do herói de ficção científica da Marvel ‘X-Men’, com a actriz inglesa Maisie Wil­liams (que se popularizou através da série ‘Game of Thrones’, da HBO) e o da série televisiva ‘Strange Things’ (do canal Netflix), invadiram Boston há semanas para gravações de rua, foi o restaurante de um chefe luso-americano que escolheram para almoçar e jantar repetidas vezes. A imprensa local - do res­peitado ‘Boston Globe’ ao tablóide ‘Boston Herald’ - noticiou o facto, pondo tanto o restaurante - ‘North End Oyster’ - como o seu chefe-executivo, Douglas Rodrigues, em mediáticas manchetes de jornais.

“A Maisie Williams veio cá várias vezes com o na­morado, Ollie Jackson, en­quanto decorreram as fil­magens”, contou o luso-americano Douglas Rodri­gues, em entrevista exclu­siva concedida ao PT, sentado ao bar do ‘North End Oyster’ - referindo-se à popular actriz, que tem mais de 4 milhões de se­guidores no Instagram.

Mas não foi só a ‘Arya Stark’ da conhecida série da HBO que escolheu o restaurante onde Rodrigues é chefe-executivo para comer enquanto filmava no histórico bairro de North End; a actriz também levou àquele espaço os colegas Charlie Heaton e Natalia Dyer, da serie ‘Stranger Things’, da Netflix. Todos eles deixaram-se fotografar pela câmara do telefone de Douglas Rodrigues.

Nas cerca de “meia dú­zia” de vezes que foi ao ‘North Square Oyster’, Mai­sie Williams experi­mentou alguns dos pratos que Rodrigues confecciona na cozinha do seu restau­rante - incluindo ostras cruas e sopa de cebola francesa.

“Quando veio com o namorado, Ollie Jackson, a Maisie Williams preferiu jantar na sala do primeiro andar, que é mais reserva­da”, conta Rodrigues.

Mas Rodrigues não está propriamente a viver os seus 15 minutos de fama, uma vez que o chefe tem já nome no universo da restauração em Boston, a capital do estado norte-americano de Massachu­setts.

Bisneto de um emigrante lisboeta que trocou Por­tugal pela pacata vila piscatória de Scituate, em Massachusetts, Rodrigues entrou na primeira cozinha para trabalhar aos 14 anos de idade. “Na altura pensa­va em ser skater profissio­nal e precisava de um em­prego que me sustentasse esse sonho”, conta. A única ‘experiência’ que acumu­lava eram as muitas horas em frente à TV a seguir com a mãe os programas de culminária de Julia Child. Não tardaria muito que deixasse de grelhar ham­búr­gueres para começar a trilhar uma trajectória hoje de respeito no mundo dos restaurantes em Boston.
Depois de ter passado pelo ‘Osca’, em Hingham, e pelo ‘Florence Club Café’, em Hull, Douglas Rodri­gues aterrou na alta gas­tronomia ao entrar em 2006 para o ‘Clio’, em Boston, onde chegaria a chefe-executivo. Posteriormente trabalharia com o chefe Guy Martin no ‘Semsing’, passando ao nível dos res­taurantes premiados com o selo Michelin. Cozinharia ainda para o ‘Winsor House’ (Duxbury), ‘The Tip Tap’ e ‘Liquid Art House’, até em Abril deste ano se juntar ao projecto do ‘North Square Oyster’ - do restaurateur Nicholas Frattaroli.

Localizado na praceta principal de um dos bairros históricos de Boston, o North End, por onde passa o famoso ‘Freedom Trail’, o restaurante abriu portas em Abril e aposta na cozinha regional da Nova Inglaterra, à base do ma­risco. “A minha ideia não foi propriamente moderni­zar a gastronomia da Nova Inglaterra, mas mais aper­feiçoá-la”, explica Rodri­gues. “Tipo sair um bocado da caixa, preservando as raízes.”

O chefe diz ter nascido “numa numerosa família”, onde a consciência das origens lusas esteve sempre presente. “Do meu pai, por exemplo, que é a pessoa mais forte que conheço, herdei a ética e a capaci­dade de trabalho”, revela.

Embora não tenha co­nhecido o bisavó emigrante que trouxe o ramo da fa­mília para a América, “lembro-me de ouvir con­tar que ele regressava a Lisboa para rever a fa­mília.”

Parte das suas memórias de infância, passa pela re­cordação de ouvir o avô - o último da linhagem a do­minar o português - ensinar a língua de Camões aos netos.

Em 2012, Douglas Rodrigues foi a Portugal pela primeira vez, para um evento de gastronomia no conhecido restaurante Vila Joya, em Albufeira. “Estive lá 7 dias e aproveitei para conhecer o Algarve e experimentar a cozinha local”, afirma.

“Foi a primeira vez que alguém, ao reparar no meu nome na bata de chefe, me perguntou se eu era português.”

 

• Por HENRIQUE MANO
Especial para o PORTUGUESE TIMES
em Boston, MA