Sabrina de Sousa tenciona regressar a Itália para cumprir a pena de três anos de prisão

 

A antiga agente da CIA Sabrina de Sousa, alvo de um processo de extradição julgado em Portugal e que se deslocou aos EUA em tratamento médico, infor­mou a agência Associated Press que partiria esta semana para Itália.

Contatado pela agência Lusa, Magalhães e Silva, advogado de Sabrina em Portugal, mostrou-se sur­preendido com a infor­mação porque falara com ela ao telefone dois dias antes e o assunto não foi sequer mencionado.

O advogado lembrou que ainda se aguarda uma decisão do tribunal italiano no sentido de substituir a pena de prisão aplicada a Sabrina de Sousa por trabalho comunitário, pelo que estranhou a intenção de regressar a Itália mani­festada pela ex-agente da CIA.

Admitiu, contudo, que nas últimas horas Sabrina de Sousa pudesse ter recebido alguma infor­mação de Itália que o advogado ainda não co­nhecia.

Sabrina de Sousa nasceu em Goa, na Índia e tem dupla nacionalidade (norte-americana e portuguesa). Foi agente da CIA e esteve colocada no consulado dos Estados Unidos em Milão, acabando por ser julgada e condenada à revelia em Itália a sete anos de prisão por cumplicidade no se­questro do radical islâmico Abu Omar, em fevereiro de 2003, numa rua de Milão, juntamente com outras 25 pessoas.

A luso-americana sem­pre defendeu a sua ino­cência, afirmando que se encontrava fora de Milão na altura do incidente.

Sabrina fixou-se em Portugal em abril de 2015 e em abril desse ano foi intercetada pelas auto­ridades portuguesas no aeroporto de Lisboa quando tentava embarcar para Goa para visitar a mãe doente, ao abrigo de um pedido de extradição para Itália.

Foi  libertada em março passado por solicitação das autoridades transalpinas, após o presidente italiano, Sergio Mattarella, ter concedido um perdão de um ano à pena de Sabrina, entretanto reduzida a quatro anos em abril de 2006, uma vez que, pela lei italiana, as penas até três anos podem ser substi­tuídas por trabalho co­munitário.