Carlos Rafael chega acordo com o tribunal e declara-se culpado

 

O português Carlos Rafael, 65 anos, consi­derado pelo Departamento de Justiça como  pro­prietário do maior negócio de pesca comercial da Nova Inglaterra, vai declarar-se culpado das acusações federais de que é alvo como parte de um acordo com o governo, segundo comu­nicado do gabinete do procurador federal em Boston.

Rafael deveria compa­recer no Tribunal Distrital Federal de Boston em 20 de março. Em vez disso, está programada a sua com­parência às 14:00 do dia 16 de março perante o juiz William G. Young para se declarar culpado de fuga às quotas de pesca e contra­bando dos lucros para Portugal. O advogado do empresário, William Ket­tlwell, não tornou públicos os termos do acordo.

Frequentemente alcu­nhado de “Codfather” por ser proprietário de mais de 40 barcos de pesca em New Bedford e Gloucester (além dos que possui na terra na­tal, a ilha do Corvo), Rafael enfrentava 25 acusações de mentir aos reguladores federais de pesca federais e de contrabando de di­nheiro em massa.

A acusação apresentada pelo procurador federal em maio passado referiu 22 exemplos de Rafael de­clarando falsamente a captura como arenque ou pollock de junho de 2012 a janeiro de 2016 de espécies que estavam sujeitas a cotas mais rigorosas.  Segundo a acusação, ao longo de quatro anos, Rafael de­clarou falsamente cerca de 815.812 libras de pescado.

A acusação refere ainda que Rafael contrabandeou os lucros através do aero­porto Logan para contas bancárias em Portugal com a ajuda de António Freitas de Taunton.

 

Se Carlos Rafael não tivesse chegado a acordo com as autoridades federais e tivesse sido condenado por falsa rotulagem, pode­ria ser condenado à perda de todos os seus navios e outros equipamentos, segundo a acusação.