A jovem que incitou o suicídio do namorado foi considerada culpada de homicídio involuntário e poderá passar os próximos 20 anos na prisão

 

Michelle Carter foi de­cla­rada culpada de homi­cídio involuntário no dia 17 de junho no Tribunal Ju­venil de Taunton, Massa­chusetts, após uma semana de julgamento. A jovem de 20 anos era acusada de manipular o namorado por meio de mensagens de texto e levá-lo a cometer suicídio. O juiz Lawrence Moniz considerou que Michelle propiciou a morte de Conrad Roy III através de uma conduta imoral. A jovem, que abriu mão do seu direito a um processo com um júri e optou por uma decisão do juiz, pode ser condenada a até 20 anos de prisão. A sentença deve ser divulgada em 3 de agosto. Entretanto, Mi­chelle permanece em li­berdade sob fiança de $250.000.

Conrad, 18 anos, e Mi­chelle, um ano mais nova, namoravam desde 2012, mas tinham-se encontrado pessoalmente apenas duas vezes, o seu relaciona­mento era baseado princi­palmente em mensagens de texto. Conrad sofria de uma depressão profunda depois do divórcio dos pais, con­fessara à namorada o seu sofrimento terá dito que ponderava o suicídio e já tentara anteriormente sui­cidar-se. Ao longo de vários meses, Roy ameaçou suicidar-se e, de acordo com as mensagens de texto entre ele e Michelle, incen­tivou a rapariga a suicidar-se com ele tipo Romeu e Julieta. Michelle disse que não e pediu a Conrad que procurasse terapia. Ele recusou.

Mensagens mostradas em tribunal provam que Michelle sugeriu ao na­morado que se fechasse dentro da sua carrinha com um gerador a funcionar. “Precisas de o fazer Con­rad. Quando mais atrasares, mais vais sofrer. Estás pronto e preparado, só tens que ligar o gerador e depois vais ser feliz e livre. Ninguém mais vai magoar-te. Se queres fazer isso tens que o fazer hoje”, disse Michelle ao namorado momentos antes deste se dirigir ao parque de esta­cio­namento de Fairhavem, onde pôs termo à vida no dia 12 de julho de 2014. De acordo com a acusação, Conrad tentou inalar mo­nóxido de carbono dentro do seu pickup truck, mas saiu do veículo e enviou mensagens a Michelle, que lhe ordenou que voltasse para dentro do veículo. Conrad foi encontrado morto no dia seguinte.

O caso foi julgado num tribunal juvenil porque Michelle Carter tinha 17 anos quando Conrad Roy morreu.  Em fevereiro de 2015, Michelle foi proces­sada no Tribunal Juvenil de New Bedford, onde um grande júri encontrou provas suficientes para acu­sá-la de homicídio involuntário, alegando que ela “ajudou o suicídio”. A estratégia dos advogados da defesa foi mostrar que ela era uma adolescente confusa que foi manipulada pelo namorado suicida. Os promotores, por sua vez, descreveram Carter como uma sociopata que se “ali­mentava” de um jovem frágil.

Michelle não esteve presente fisicamente ao lado de Conrad Roy quan­do ele se suicidou, mas “estava em seu ouvido, em sua mente, ao telefone, e estava lhe dizendo que voltasse para o veículo embora soubesse que ele ia morrer”, disse a promotora adjunta Katie Rayburn. Especialistas em direito questionaram se as palavras pronunciadas por uma pessoa bastam para conde­ná-la por homicídio invo­luntário. O suicídio é em geral considerado a vonta­de da pessoa que o comete. Nos Estados Unidos, ne­nhum estado conta com leis para punir o ato de alentar alguém a suicidar-se.

O juiz Moniz disse que o encorajamento por si só não foi suficiente para provar que Michelle causou a morte de Conrad, mas a combinação dessas mensa­gens e a evidência de que Michelle lhe disse que voltasse para o seu pickup truck durante a tentativa de suicídio é que levou o magistrado à determinação de que ela era culpada.

Com a sua decisão sobre este caso, o juiz Moniz esta­belece um precedente novo e polémico para casos parecidos no futuro: as palavras de uma  pessoa podem causar a morte de outra: uma pessoa pode ser culpada da morte de outra pessoa e não estar no mesmo lugar. A declaração de Moniz surpreendeu os juristas que assistiam ao julgamento dado que em Massachusetts é legal assistir ao suicídio de outra pessoa.