Tudo vale a pena para ensinar português

 

O assunto que nos levou à escola do Clube Ju­ventude Lusitana foi a festa do São Martinho. Este ano, após tudo programado, a festa de Halloween teve de ser cancelada devido aos ventos ciclónicos e fortes chuvadas que se fizeram sentir e que cortaram a enérgia elétrica.

E isto arrefeceu o ímpeto dos professores, alunos e comissão escolar para o reviver daquela tradição.

A tradição agora foi do São Martinho. Viveu-se mas no salão e não no campo de futebol em volta da fogueira, como sucedeu no ano passado.

Fazemos votos que para o ano as condições atmos­féricas sejam mais sim­páticas e o São Martinho volte a ser vivido em torno da fogueira com as castanhas a rebentar.

Só esperamos que o peru não se lembre de fugir este ano e o Thanksgiving tenha de ser festejado com um frango.

 Mas o mais importante e deixando de brincar, é que os dedicados professores, comissões escolares e pais dos alunos conseguem o milagre de pôr o aluno a falar português. Mas isto já não é uma tarefa nova. Nos quase 90 anos de ensino, junto daquela escola, são um exemplo do que ali se tem feito e continua a fazer. Desde o ensino adminis­trado pelos padres que vinham da igreja de Santo António em Pawtucket, passando por um período em que os dotados de um pouco de mais instrução eram os professores, en­trando-se na época do pro­fessor Amadeu Casanova Fernandes, em que se começou a ensinar sob os métodos didáticos apro­priados e agora atingindo-se uma época de altos va­lores, na pessoa da orien­tadora pedagógica e dire­tora Fernanda Silva.

A escola do Clube J. Lusitana, assim como a preocupação do ensino do português, pode ser uma descoberta recente para quem chegou, mas em boa verdade, já tem um his­torial, que só aqui tem conseguido preservação e projeção, nem que isto seja um magusto para celebrar o São Martinho.

E foi o que aconteceu na passada quarta-feira. Os alunos falaram sobre a tradição em trabalhos que haviam compilado. Mos­traram que de uma simples castanha que se desprende da casca ao calor da caruma, se pode tirar a lição da lenda de São Martinho.

E uma vez mais lá estavam os dedicados pais.

São estes exemplos do magusto, como foi o “Hal­loween” e vai ser o “Than­ksgiving”, que mostram o interesse do grupo de professores, chefiados por Fernanda Silva em manter a lingua de Camões bem acesa, nem que para isso seja necessário a fogueira do São Martinho.

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa