A Marcha dos Coriscos, de São Miguel, com 100 figurantes, abre o cortejo etnográfico, que encerra com a marcha das Grandes Festas com 60 elementos

 

Ainda antes de arrancar o programa das festas de verão pela Nova Inglaterra e como candeia que vai à frente ilumina duas vezes, já podemos levantar o véu a alguns pormenores, primordiais ao sucesso a mais uma edição das Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra em Fall River.

Para tal fomos ouvir Duarte Carreiro, presidente das maiores festas dos portugueses nos EUA.

“Embora ainda estejamos no mês de abril, os preparativos para as Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra, vão tomando forma. Sendo assim já podemos confirmar entre nós no mês de agosto da presença da Marcha Popular Os Coriscos, vinda da ilha de São Miguel. Esta marcha foi criada para anualmente participar nas festas Sanjoaninas na ilha Terceira. Dado o tremendo êxito conseguido resolveram estender o seu palmarés de desfiles aos EUA.

O numeroso grupo de 100 figurantes, constituído por 50 casais, vai ter um apertado programa de atividades”.

Mas esta coisa das marchas é como as cerejas. Tira-se a primeira e as outras vêm atrás.

“Ao mesmo tempo surge a ideia do lado de cá, para se fazer uma marcha semelhante no âmbito das Grandes Festas. E aqui entra na baila, ou melhor no baile, Victor Santos que é o homem ligado às marchas, que com sucesso se têm deslocado à ilha Terceira pelas Sanjoaninas, assim como tem feito desfilar pelas ruas de Fall River o encanto de uma marcha, com todo seu colorido, graciosidade e acompanhada por um banda”.

Mas as Grandes Festas oferecem condições tendo em vista o sucesso que daí se vai conseguir.

“A organização das Grandes Festas responsabiliza-se pela compra dos tecidos para as vestimentas. Depois, cada um dos participantes é responsável por arranjar a costureira para fazer os trajes. Por certo vai acontecer que as pessoas têm familiares ou conhecidos dotados para a tesoura e a máquina de costura, pelo que só aí tem-se meio caminho andado.

Sendo assim e após as vestimentas envergadas, coreografia nos lugares, banda de música com tons certinhos, temos a marcha das Grandes Festas a subir a Columbia Street na direção do Kennedy Park”, salienta Duarte Carreiro.

Podemos constatar o grande entusiasmo que rodeia esta iniciativa que poderá vir a ser um grande contributo ao êxito das Grandes Festas.

 “Este ano a grande novidade do Cortejo Etnográfico do Bodo de Leite serão as duas marchas populares a abrir e a encerrar o desfile, no que se poderá intitular como uma guarda de honra ao cortejo etnográfico que de ano para ano, num trabalho imprescendivel de Clemente Anastácio, aumenta em quantidade e qualidade.

Quanto ao alojamento dos 100 figurantes dos Coriscos de São Miguel, a maioria vão ficar em casas de familias e amigos e uma pequena percentagem no hotel”, Mas se a diversão é um bem para o corpo, a oração é um bem para a alma. E sendo assim as duas completam-se no programa das Grandes Festas.

Como aliás Portuguese Times, já havia adiantado, se bem que na altura só tinha saído o convite, hoje já podemos confirmar a presença de D. João Lavrador, bispo de Angra e ilhas dos Açores. No ano passado tivemos entre nós, na qualidade de representante oficial episcopal D. António de Sousa Braga, Bispo Emeritus de Angra e Ilhas dos Açores.

 Pelo lado civil, não obstante já termos enviado os convites, como aguardamos as confirmações, preferimos não adiantar nomes.

“Tem havido a preocupação de trazer entretenimento, de cariz regional, dado os laços de estreitamento entre as origens e a diáspora.

“Na parte do entretenimento, se bem que não possa entrar em pormenores, posso acrescentar que vamos ter nomes sonantes que seu tempo serão divulgados.

Vamos ter grandes nomes locais a par com outros vindos de Portugal”.

Fica no ar a promessa de Duarte Nuno Carreiro, que volta a montar no Kennedy Park pela segunda vez consecutiva uma digna presença de promoção dos Açores nos EUA.

“Posso já acrescentar que o Pavilhão dos Açores vai voltar com algumas melhorias. É o mesmo pavilhão base, com algumas alteraçãos ao nivel de reforço da cobertura. É uma presença importante e dignificante da nossa comunidade”.

 

A caminho de mais um êxito...

 

“Vamos levantar as mãos ao céu, para que São Pedro, nos mande bom tempo. Que o sol brilhe, que a comunidade, essa não deixa de não comparecer tendo em conta a adesão dos anos anteriores. Vamos voltar a ser muitos no Kennedy Park”, concluiu Duarte Nuno Carreiro.

Mas quando se fala em marchas e em especial junto das Grandes Festas, fala-se em Victor Santos.

Foi ele, que com seu pai Francisco Santos e seu tio Clemente Anastácio, os grandes obreiros do Cortejo Etnográfico do Bodo de Leite.

Mesmo lutando contra 80 bonitas primaveras, Clemente Anastácio consegue um  cortejo etnográfico que faz das ruas de Fall River um quadro vivo de costumes e tradições que mantém ao longo dos anos a assinatura daquele “home” da Terra Chã.  Todos anos é o último. “Já estou cansado. Já me custa passar em Fall River aquele fim de semana das Grandes Festas. É montar o Kennedy Park. O império, a coroa. As cerimónias. Temos gente jovem a querer dar continuidade. Mas falta a experiência. Estamos aqui desde a primeira edição. Fechar a porta e sair é um pedaço de nós que desaparece. E o Espírito Santo que nos tem ajudado, vai-nos dando força para continuar”. É este o desabafo anual daquele homem que vive as Grandes Festas. Mas aquele homem que enquanto sentir um impulso Divino vai estar a chefiar a preparação da saída do Cortejo Etnográfico nas Portas da Cidade em Fall River.

 

Sob o tema “Espírito Santo é Partilha”, a marcha das Grandes Festas vai desfilar pelas ruas de Fall River

 

É necessário brindar a multidão que une o parque das Portas da Cidade ao Kennedy Park, com algo de novo. Sendo assim Victor Santos entrou em cena e vai de projetar uma marcha grandiosa. Os planos estão traçados. E como o “home” da Terra Chã, nunca deixa em meio os projeto, vamos esperar coisa linda. 

“Espírito Santo é partilha” é o tema da marcha das Grandes Festas da autoria de Victor Santos. “Letra, música, coreografia, tudo será da minha autoria. Teremos o acompanhamento da banda do Senhor da Pedra de New Bedford. Lanço um convite à comunidade para fazerem parte desta manifestação cultural, cujo sucesso depende da adesão ao meu pedido. A nossa ideia seria pôr a desfilar 30 pares. Teremos ainda um grupo de casais vestidos com trajes idênticos para ajudar na distribuição de massa e leite. Informaremos o local do primeiro ensaio, onde serão distribuídos os papéis com a letra da marcha.

Deixamos aqui um apelo às irmandades e associações para se fazerem representar por um ou mais pares na marcha”, concluiu Victor Santos.

 

- Foto e texto: Augusto Pessoa