Irmandade do Divino Espírito Santo celebrou 40 anos de devoção com missa e sopas do Espírito Santo

 

Fez-se história na igreja de Santo António em Pawtucket

 

Vamos recuar quarenta anos. No ano de 1977 e ao mês de fevereiro. No altar o saudoso padre Fernando Freitas. Davam entrada na igreja em direção ao altar, Francisco e Rosa Vieira (já falecidos), com a coroa do Espírito Santo. Esta relíquia havia sido trazida da ilha Terceira em 1930 por Charles e Vera Moules.

A história repete-se 40 anos depois.

Eram 10:30 da manhã do passado domingo, 23 de julho de 2017. No altar o padre José Rocha. Davam entrada na igreja, Adriano e Stephanie Ponceano, os mordomos da irmandade em julho de 2017.

Os jovens mordomos são uma segunda geração con­trastando com os funda­dores na ordem dos 80. Há mesmo antigos mordomos nessa faixa etária.

A igreja estava cheia. Havia lugar reservado para os antigos mordomos e fundadores. Fez-se história, numa igreja que recente­mente celebrou 90 anos de apoio espiritual a várias gerações de paroquianos.

Estivemos para registar mais esta passagem histó­rica da nossa comunidade.

Sim, porque 40 anos de uma irmandade já é his­tória. E temos de ir em procura do apoio do mon­senhor Victor Vieira, quan­do nos disse, mais do que uma vez: “Devemos cele­brar as datas no seu desen­rolar normal. Não é acon­selhável esperar longos períodos, pois que, não sabemos se lá chega­remos”.

E inteiramente de acordo com o ilustre monsenhor Victor Vieira, as irman­dades, igrejas, clubes e associações devem festejar as datas à medida que vão surgindo e não esperar pelos números sonantes de 25, 50, 100, que é sempre um risco de não estarmos presentes.

Na irmandade também já faltaram alguns dos que já partiram para a eternidade e cabe-nos a nós imortalizar a sua passagem pelo mun­do. A baixo deixamos os seus nomes, como dado histórico a futura consulta.

Portuguese Times esteve lá. Como o tem feito em volta do poder associativo. Somos os únicos preo­cupados em deixar como herança estes dados escri­tos, na esperança que fu­turos estudiosos os utilizem para trabalhos de pesquisa comunitária.

Fazem-se livros, que ficam no fundo das gavetas e os poucos que saem têm de ser enfiados a quem contrariado se vê obrigado a comprá-los. Já nem fala­mos na qualidade. O que aqui se faz, graças às novas tecnologias, corre o mundo em poucos minutos. Foto e texto.

Após a missa, os paroquiamos dirigiram-se ao restaurante White’s, em Westport, onde foi servido o banquete comemorativo do aniversário da irmandade.

A igreja de Santo Antó­nio, que já ultrapassou os 90 anos de existência, tem desenvolvido um aposto­lado de reconhecido valor junto dos seus paroquianos, que agora canalizaram o seu apoio para os 40 da irman­dade do Divino Espírito Santo. Esta irmandade é uma herança do saudoso padre Fernando Freitas, que deixou um legado de reconhecido valor, sob uma administração considerada por vezes um pouca rígida, mas que deixou os seus frutos bem visíveis.

A irmandade foi fundada em fevereiro de 1977 por um grupo de crentes e dedi­cados paroquianos, ligados à origem pelos costumes e tradições.

O aparecimento desta irmandade tem uma relação muito forte com José Gonçalves Moles e sua esposa Rosa Silveira, nascidos na ilha Terceira e que tal optaram por de­mandar a terra prometida.

Radicaram-se em Pascoag onde adquiriram uma herdade. Curiosamente foi daquela herdade que João Ramos trouxe a aparelhagem para fazer aguardente. E o mais curioso é que o produto saía com tanta qualidade que cinquenta anos depois, passados 25 da morte de João Ramos, há grandes elogios ao produto destilado do alambique daquele terceirense, mas que nós preferimos herdar a filha e deixar o “moon­shine” para os apreciadores. Estão entre eles, Rogério Medina, Paul Bettencourt, entre outros.

Mas a história da irman­dade não se fica por aqui. No ano de 1930 o casal resolve ir visitar as origens. Durante a estadia na freguesia de São Bartolo­meu, Terceira, resolvem oferecer uma função, pelas graças concedidas na cura de José Gonçalves Moles, que havia estado grave­mente doente. O casal passou o verão na Terceira. No re­gresso compram uma coroa do Espírito Santo que trazem para os EUA. A coroa era destinada à igreja de Nossa Senhora do Rosário, que havia sido erguida no bairro de Fox Point em Provi­dence.

Mas dado que elementos daquela família, tais como José Ramos, estavam ligados à fundação da igreja de Santo António em Pawtucket, e por pressão dos mesmos, a coroa seria oferecida àquela igreja portuguesa.

Seria o prestar honras anuais, tal era resumido a um pequeno cerimonial, durante as missas no dia do Espírito Santo.

No ano de 1967 o padre Fernando Freitas passa a fazer uma cerimónia de coroação com os alunos das aulas de catequese.

Sendo as festas uma grande manifestação reli­giosa dos Açores, esta tradição fez parte integrante dos costumes que acompa­nharam as gentes daquele arquipélago que se radica­ram por estas paragens.

Numa paróquia constituí­da por paroquianos das mais diversas procedências, surge Francisco Ernesto Vieira, natural do Faial, que solicita autorização ao padre Fernando Freitas para fazer uma coroação, seguida de função no salão paroquial. Tudo isto no cumprimento de uma pomessa. O entusiasmo em torno da primeira coroação, na igreja de Santo António, desperta o interesse da constituição de uma irmandade.

O padre Fernando Freitas convoca uma reunião a 27 de fevereiro de 1977, tendo sido formada uma comissão de 18 homens, tendo sido nomeado para primeiro mordomo, Francisco Ernesto Vieira. Daí para cá são 40 anos de sucessos, entre a compo­nente espiri­tual e finan­ceira, entre comissões e mordomos.

E como isto é história, deixamos para a história o nome dos fundadores da irmandade: Clemente Anas­tácio, Manuel Violante, Eugénio Miranda, José Rego, Francisco Santos, Luís Melo, José Serpa, José Silveira. E já falecidos, mas imortalizados para a his­tória da irmandade: Francisco Viera, Agostinho Cavaco, Daniel Reis, João Farias, Daniel Furtado, Manuel Ramos, Henriqe Carvalho, Manuel Melo, Manuel Silveira, Manuel Pinheiro.

 

• Fotos: Jennifer Pereira • Texto: Augusto Pessoa