“Irmãos” apresentado no New Bedford Whaling Museum

 

“O filme veio à procura de um dos protagonistas”

— Pedro Magano

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa

 

O New Bedford Whaling Museum abriu as suas portas a mais uma iniciativa que reflete a tradição dos romeiros, que data dos tempos remotos de 1522.

Esta tradição quaresmal, que enche os caminhos e veredas da ilha de São Miguel,  nesta época do ano, reúne ranchos de romeiros, tal como o que serviu de tema ao intitulado “Irmãos”, trabalho bem concebido e melhor executado.

O auditório do museu encheu, mostrando o interesse das boas gentes, que encheram aquele espaço onde já se têm vivido grandes momentos da presença lusa nos EUA.

O DVD Irmão é o exemplo visual de uma tradição que cai fundo na alma do açoriano, que tanto é vivido na origem, como nos caminhos da diáspora, que foi aliás, quem des­pertou interesse para o trabalho apresentado.

Ouvimos Pedro Magano, que falou do seu trabalho, com o entusiasmo do êxito, que minutos depois pode­mos constatar. Mas como surge a ideia?

“Tivemos conhecimento das romarias quaresmais através de uma revista sobre os romeiros na Nova In­glaterra. Achamos curiosa a tradição, trazida para esta região dos EUA pelos açorianos. E só depois é que tivemos conhecimento de que era uma tradição que se vivia na ilha de São Miguel”.

Não deixa de ter o seu curioso, o facto de ser na diáspora que o autor do trabalho, acaba por des­cobrir uma tradição qui­nhentista.

“Viemos apresentar o nosso DVD, precisamente onde encontrámos a tradição. Conseguimos o apoio do empresário Joe Castelo e do cônsul de Portugal em New Bedford, Pedro Carneiro e do Go­verno Regional dos Aço­res”.

Foi o rancho de romeiros, como poderia ter sido qualquer um dos setenta que percorreu, caminhos e veredas da ilha de São Miguel.

 “O documentário é sobre o rancho de Ponta Garça, um dos ranchos que saem na ilha de São Miguel durante período quaresmal.

Acompanhamos o rancho durante uma semana. Tivemos o apoio de uma auto caravana para a gravação de uma semana de romaria”.

Depois de gravado o trabalho houve  o cuidado da aproximação à excelência.

“O nosso trabalho levou cerca de um ano a editar e a finalizar”.

Mas no meio das boas vontades, há sempre o factor financeiro a ter em conta.

“Este nosso trabalho em DVD já encontra na rede comercial. Primeiro passa por uma série de festivais, ganhamos prémios nacionais e internacionais. A finalidade na apresentação do circuito internacional tem a ver com a projeção e notoriedade do trabalho que tem sido alvo dos melhores elogios”.

O Governo Regional dos Açores tem sempre em vista a comunidade aqui radicada.

“Tivemos o apoio do Governo Regional dos Açores para esta iniciativa que tem muito a ver com a comunidade aqui radicada. Eu descobri que é uma tradição católica onde além da fé de Deus trata da fé dos homens.

O que eu senti durante aquelas semanas, foi que há a procura de uma paz interior por parte dos romeiros, o recuperar de energias para o ano inteiro, sentimento que nos transmitiam a nós. Uma renovação de forças e de vontade, direi mesmo, viver a sua vida através da romaria. Para mim foi extremamente gratificante, porque sem guião estivemos à mercê dos acontecimentos e fomos muito felizes a fazer este documentário, sentimos que imortalizámos um pouco aquela tradição”.

No final da apresentação do documentário a grande surpresa foi a presença do jovem Patrício, dotado de grande simpatia, respondendo às perguntas da plateia.

“Uma das personagens deste trabalho sobre a romaria quaresmal que é o Patrício. O menino muito bonito que leva a cruz à frente do rancho, quando estreou no primeiro festival em Coimbra, a família, seis filhos e os pais, fez um esforço enorme, dado que eles são todos residentes em Ponta Garça, e estiveram presentes no lançamento do trabalho e agora estão aqui em New Bedford”.

E Pedro Magano vai mais longe.

“Não acredito muito no destino, mas o que há coisas que na realidade acontecem, temos de admitir que sim”.

E acrescenta:

“O filme veio à procura de um dos protagonistas. O filme esta dividido em duas partes. A visão de uma criança sobre o imaginário de uma romaria. As brincadeiras. Mesmo alguma irreverência, fugindo à serieda do ato. A segunda parte é uma visão do mestre, numa visão, mais, direi institucional desta tradição.

A primeira parte, temos a romaria aos olhos de uma criança. E uma segunda parte aos olhos de um mestre conhecedor da tradição”. Trabalho concluído e apresentado.  

“Estou radiante com esta minha primeira longa metragem, cujo percurso tem excedido às espetativas. É muito gratificante quando vimos que os intervenientes ficaram satisfeitos, com o seu contributo ao êxito deste trabalho. E aqui na pessoa de João Carlos, que foi o mestre deste trabalho que estamos a ver rodeado do maior êxito. Tinha um compromisso com ele, que além de não conhecer uma romaria, tinha prometido captar a essência da tradição. Dizia-me ele: “Isso não é palpável. Não é algo que se veja. É algo que se sente”. E no final dizia-nos Pedro Magano: “Conseguimos captar o puro sentimento da Romaria. Direi a passagem de testemunho entre os mais velhos e os mais novos”, concluiu Pedro Magano.