Publicado em Nova Iorque o livro sobre o envolvimento das comunidades luso-americanas na autodeterminação de Timor-Leste

 

Acaba de ser publicado em nova Iorque  o livro “LAMETA”, o desconhecido contributo das comunidades portuguesas para a independência de Timor Leste” no qual João Crisóstomo relata o que foram os seis anos (1996- 2002) de envolvimento das comunidades luso-americanas a favor da auto determinação de Timor Leste.

LAMETA é o acrónimo de Luso Ameri­can movement for East Timor Autode­termination, o movimento a que João Crisóstomo presidiu e que durante três anos (1996-1999) apoiou a realização de um referendo em Timor Leste, coorde­nando após a sua realização importante ajuda financeira e em bens doados pelas comunidades luso-americanas para atenuar os efeitos da destruição causadas naquele território pelas milícias pro-indonésias.

Para além das diligências pro-timorenses que decorreram em praças públicas e em associações portuguesas da costa leste americana, o livro de 160 páginas passa tam­bém pelas pressões que o movimento levou aos meios políticos americanos e da ONU e também do governo indonésio e do influente presidente  sul africano Nelson Mandela.

“Embora me tenha sido dito muitas vezes que o contributo e envolvimentos  das comu­nidades luso-americanas para a inde­pendência de Timor Leste – e de outras causas em que estas têm cooperado e participado — deviam ficar  devidamente registadas sob a forma de livro, recusei-me sempre a considerar a sério tal empre­endimento por achar tratar-se  de um projecto que estava um pouco além das minhas pretenções”, disse João Crisós­tomo explicando como em 2016 decidiu pôr o projecto em marcha.

“Em setembro de 2016 o primeiro ministro timorense, Rui Maria Araújo, veio a Nova Iorque e eu tive oportunidade de lhe mostrar o acervo de documentos que historiavam a acção da LAMETA em prol da autodeterminação de Timor Leste num periodo em que ninguém acreditava que isso viesse a ser possível, e depois, no meio das enormes necessidades dos timorenses após a destruição subsequente  à realização do referendo. O primeiro ministro consi­derou de interesse histórico a documen­tação apresentada e de lugar dignificante no Museu e Arquivo da Resistência Timo­rense em Dili, mas confessou que nunca tinha ouvido falar da LAMETA. Tomei logo ali naquele momento a decisão de pôr tudo num livro para que não fique esque­cida  a pressão política e a fraternal ajuda humanitaria que os luso-americanos tão generosamente canalizaram para os nossos irmãos de Timor”, refere Crisóstomo.

Segundo afirma o autor, o volume pretende ser, sobretudo, um album sobre os seis anos de ativismo pro-Timor desti­nado à sua família e às famílias de quantos viveram estremecidamente estes seis anos de luta e de solideriedade e também um documento a provar “o envolvimento apaixonado das comunidades portuguesas na  causa de Timor Leste, o que era para mim motivação e inspiração também”, salienta João Crisóstomo, que conclui:

“O livro não tem fins comerciais, uma vez que é um acto de gratidão às comuni­dades portuguesas pela sua solidariedade para com os nossos irmãos timorenses”.