Portuguese Sports Club, de New Bedford, 60 anos a manter viva a presença lusa nos EUA

 

Era prática habitual dos anos 50 os jovens portu­gueses encontraram-se aos cantos das ruas das comunidades, para falarem dos mais diversos assuntos, onde as origens e suas tradições e costumes prevaleciam.

Os jovens de New Bed­ford não foram exceção. E sendo assim, a juventude ao sul de New Bedford jun­tava-se nas esquinas da County e Nelson Street, onde o futebol era tema obrigatório.

Vagueavam entre a Cove Road, Crapo e Bonny Street.  Estava-se na área do Frances Park, onde se praticava softball.

Nas imediações havia um descampado, perto do mar. Tendo por marcação umas pedras, fazia-se uma baliza de cada lado.

As facilidades não eram muitas e a primeira bola era de trapos. Lá mais para a frente lá apareceu como por encanto uma bola de coiro. Na mente estava a formação de um clube. Passaram a fazer parte da história, Manuel António Amaral, José Ribeiro, Octávio Senra, João Raposo, Ma­nuel Pavão e Manuel A. Rodrigues.

Traziam o sonho da prosperidade na mente e nos pés a força do remate, direcionado à formação do que viria a ser o Portuguese Sports Club.

Naquelas tempos re­motos, supomos que para atrair os jovens às práticas religiosas, a igreja do Monte Carmo tinha uma equipa de futebol.

Os jovens iniciados com a bola de trapos, foram convidados a assinar pela Mt. Carmel Soccer Team. Não se dá conhecimento das “luvas” pagas aos jo­vens atletas, que por certo se lhes dessem umas luvas para o frio já ficavam radiantes. Mas os homens do futebol, chegaram a competir a nivel nacional.

Mas esta coisa de entrar para equipas já formadas, acaba sempre por gerar uma certa controversia. E aqui não foi exceção.

Manuel A. Amaral, José Ribeiro, Otávio Senra, João Raposo, Manuel Pavão, Afonso Pavão, Manuel A, Rodrigues, Gilberto Silva, João Medeiros, José D. Medeiros, José Simões, o “Braguilhas” e Gilberto Melo. Mas os planos de um fututo clube continuava na mente daquela gente que, quando ainda jogavam para o Mount Carmel Team, descontavam 25 cêntimos, para ajuda das primeiras despesas do Portuguese Sports Club.

Manuel António Amaral foi o grande impulsionador da formação do Clube. As reuniões aconteciam em sua casa.

E em 1956 instalavam-se no 105 River Street.

 

Os primeiros anos

Fundado a 24 de setem­bro de 1956, o Sporting Clube Português, tal como se depreende, viu o nome rodeado de controvérsia e esta levantada pelos adeptos e sócios do clube, mas adeptos do Benfica.

O nome e as camisolas, foram mantidos. Mas as águias, continuavam a voar baixinho.

Mas tudo transparece em relação ao nome. Manuel António Amaral que tinha por alcunho o “Sporting” era o grande impulsionador e como tal prevaleceu o nome.

Por sua vez, José Ribeiro que também fazia parte dos fundadores tinha por alcunho o “Benfica”.

Entre nomes que con­tribuiram para o que hoje é o Portuguese Sports Club estão José Ribeiro, Manuel Rodrigues, João Raposo, Manuel Amaral e Octávio Senra, alguns deles resi­dentes na Flórida.

Os primeiros sócios do novo clube eram familiares e amigos.

Financeiramente as coi­sas não corriam de feição. Fizeram uma rifa de um relógio e uma garrafa de vinho.

A compra dos equipa­mentos teve ser financiada pelos próprios jogadores. As camisolas foram feitas pela mãe do Senra e do Pavão.

Notava-se um grande espírito de cooperação, que seria um contributo à vivência de 60 anos desta presença portuguesa ao sul de New Bedford.

Os destemidos homens do soccer equiparam-se aos jogadores do futebol americano, a jogar em dezembro com neve.

Deve ter sido por esta demonstração de bravura que o Standart-Times publicou uma reportagem do jogo entre o PSC e o Centro Luso realizado a 23 de dezembro de 1956. Muitas das vezes os jogos não terminavam devido à neve já ser demasida para a prática do “socer”.

Nos anos de 1958/59 os juniores foram pela primeira vez campeões do New England Juniors Soccer Team.

Por sua vez nos anos de 1959/60 o PSC sagrou-se campeão da New Bedford City Soccer League.

 

A dança das sedes

De 24 de dezembro de 1956 a 26 dezembro de 1961, o PSC conheceu seis sedes temporárias.

As razões tinham a ver com a situação financeira e com as condições dos locais. Não obstante a renda ser de 5 dólares por semana, havia semanas que não havia dinheiro para pagar. Foi muitas vezes José Ribeiro que pagava do seu bolso.

 

A grande mudança

Ao haver conhecimento de que havia uma igreja polaca à venda, movi­mentaram-se todos os cordelinhos, no sentido da compra.

Esta seria efetuada ao valor de 7.500 dólares. Pediu-se um empréstimo de 6.750 dólares ao banco. O PSC ficou responsável pelo pagamento de 74.41 por mês pelo período de 10 anos.

Esta mudança deveu-se ao facto do aumento de associados a facilitar uma maior movimentação de capital.

 

Nos tempos

que correm

Com um digno historial de uma presença lusa na cidade baleeira, o Portuguese Sports Club vai festejar 60 anos de existência.

A festa acontece no sábado, 01 de abril, que não obstante ser o dia das mentiras, esta é a realidade.

Vai haver festa. Vai-se prestar homenagem aos fundadores e antigos presidentes.

Entre as 6:00 e 7:00 será a hora social e pelas 7:00 será servido o jantar, estilo familiar.

Os interessados em tomar parte nesta festa e para aquisição de bilhetes, devem ligar para (508) 642-2455 ou (508) 965-5048.