Imagem do Santo Cristo voltou a percorrer as ruas de Ponta Delgada


A imagem do Santo Cristo voltou no passado domingo a percorrer as ruas de Ponta Delgada, em São Miguel, numa procissão que este ano contou com a participação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Esta procissão, com a imagem do ‘Ecce Homo’, começou no Santuário da Esperança, no Campo de São Francisco, de onde saiu a imagem do Santo Cristo.
Marcelo Rebelo de Sousa, que se deslocou pela primeira vez aos Açores enquanto chefe de Estado, integrou a dianteira do cortejo cívico, juntamente com o Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, a presidente da Assembleia Legislativa, Ana Luís, e o chefe do Governo Regional, Vasco Cor-deiro.
A primeira procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres remonta a 1700, ano em que a ilha de São Miguel foi abalada por “fortes e repetidos tremores de terra”.
“Duravam estes há já vários dias quando a Mesa da Misericórdia e grande parte da nobreza da cidade, verificando que os terramotos não cessavam, resolveram ir à portaria do Mosteiro da Esperança para levarem, em procissão, a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres”, refere um guia da Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
A procissão, na qual participam milhares de pessoas, e que ocorre sempre no quinto domingo depois da Páscoa, respeita, ainda hoje, o itinerário inicial.
O cortejo com a imagem do Santo Cristo, que este ano levou uma capa em veludo vermelho oferecida por um jovem seminarista, passou pelos antigos conventos da cidade e algumas igrejas paroquiais, incorporando-se ainda dezenas de bandas de música e representantes das principais instituições civis, religiosas e militares do arquipélago, num percurso de vários quilómetros ornamentado por tapetes de flores.
As festas foram presididas por Edgar da Cunha, bispo de Fall River, Estados Unidos da América, onde reside uma grande comunidade de açorianos.
Os festejos, que decorrem até amanhã, quinta-feira, atraem pessoas de todas as ilhas açorianas, de vários pontos do país e das comunidades de emigrantes.

PR diz que procissão do Senhor
Santo Cristo nos Açores 
é “momento inesquecível” 
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse no passado domingo que a procissão do Senhor Santo Cristo, em Ponta Delgada, que integrou, é “um momento inesquecível”.
“Acho que é, realmente, um momento inesquecível como expressão de fé e como expressão de fé quer do povo que aqui vive, quer do povo que vem de todo o mundo, mas nomeadamente dos Estados Unidos da América, e que mantém esta ligação às raízes, que é muito impressionante”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.
Questionado sobre as quatro horas que fez a caminhar, o chefe de Estado considerou “um pormenor comparado com a magnitude, dimensão, densidade impressionante desta manifestação de fé e também de raízes açorianas”, para acrescentar que “foi excecional”.
A imagem do Senhor Santo Cristo saiu do Convento da Esperança às 16:30 locais, com centenas de pessoas a baterem palmas.
À frente seguia o presidente das celebrações, Edgar da Cunha, bispo de da Diocese de Fall River, onde reside uma grande comunidade de emigrantes açorianos, assim como o bispo de Angra, João Lavrador, e o bispo emérito da diocese, António de Sousa Braga, além de outros membros do clero.
Meia hora depois saiu o cortejo cívico, seguindo na dianteira o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, a presidente da Assembleia Legislativa, Ana Luís, e o chefe do executivo regional, Vasco Cordeiro.
Os ex-presidentes dos governos regionais Carlos César (atual líder parlamentar do PS) e Mota Amaral (histórico do PSD que foi, também, presidente da Assembleia da República) estavam logo atrás, com o último a incorporar mais tarde a procissão.
Os deputados eleitos pelo círculo dos Açores para a Assembleia da República, incluindo Berta Cabral, ex-presidente da Câmara de Ponta Delgada, surgiam imediatamente depois.
Assim que o cortejo cívico começou a procissão ouviram-se também palmas e “viva o nosso presidente”, que subiu de tom quando este passou junto às Portas da Cidade.
No percurso, à passagem das autoridades políticas, onde se incluíam, igualmente, eurodeputados, os restantes membros do Governo dos Açores, os presidentes da Câmara e Assembleia Municipal de Ponta Delgada, e deputados no parlamento regional, um homem, ex-combatente na Guerra Colonial, exibiu uma folha onde dizia ter sido abandonado por Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa fez a procissão, de cerca de oito quilómetros em quatro horas, pelas ruas engalanadas da cidade, onde muitas montras estavam decoradas com imagens do Santo Cristo e varandas com colchas e flores.
Pelo percurso, eram milhares as pessoas, residentes, emigrantes e turistas, que esperaram pela procissão passar, havendo quem atirasse pétalas a Marcelo Rebelo de Sousa ao mesmo tempo que dizia “bem-vindo aos Açores”.
Quando chegou ao Santuário da Esperança, no Campo de São Francisco, o Presidente da República, assim como as demais entidades, aguardou até ao fim da procissão, que terminou com a charanga dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, pelas 22:00 locais.
O bispo de Angra considerou, então, que a presença do Presidente da República “emprestou um brilho ainda maior” às festas, saudou as mais altas figuras da região e agradeceu a todos os que trabalharam para “honrar e engrandecer” as celebrações, dirigindo-se ainda aos peregrinos, razão de ser do santuário.
Esta foi a primeira deslocação aos Açores de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto chefe de Estado, tendo sido, depois de Ramalho Eanes, o segundo Presidente da República a integrar a procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres.