Mais de 70 localidades de Massachusetts tiveram eleições para mayor, muitos dos quais foram reeleitos

 

Houve eleições autárquicas dia 7 de novembro em mais de 70 municipalidades de Massachusetts e os resultados poderão ser um indicador para as eleições de 2018.

Em Boston, Marty Walsh foi reeleito para segundo mandato como mayor com 66% dos votos, derrotando o conselheiro municipal Tito Jackson, que procurava tornar-se o primeiro mayor negro da cida­de. Apesar de criticado por alguns setores por ter apoiado a abortada tentativa de trazer as Olímpiadas de 2024 para Boston, Walsh trouxe desenvolvimento para várias áreas, nomeadamente a zona portuária distrito e trouxe também a sede da General Electric para Boston.

Acrescente-se que o conselho municipal de Boston terá duas novas mulheres, Lydia Edwards e Kim Janey, que se juntarão às reeleitas Michelle Wu (atual presidente), Ayanna Pressley, Anissa Essabi George e Andrea Joy Campbell, aproximando-se de uma maioria feminina pela primeira vez na na sua história de 195 anos. Outra cara nova será Ed Flynn, ex-funcionário federal e filho do ex-mayor Raymond L. Flynn. Foi eleito com 54% dos votos pelo Ward 2 e levando a melhor sobre Mike Kelley, ex-assessor do falecido mayor Thomas M. Menino.

Em abril passado, os eleitores de Fra­mingham decidiram  que o maior town de Massachusetts passasse a ser city. Escla­reça-se que tanto town como city podem ser cidade, mas town é usado para locali­dades mais pequenas e city para grandes urbanizações e Framingham tem 68.318 habitantes. Votaram no referendo 11.332 residentes, 5.684 aprovando a elevação e 5.579 contra ela. Até aqui, a localidade foi gerida por um administrador e uma junta de “selectmen”, mas as eleições do passado dia 7 foram precisamente para eleger um comité escolar e o primeiro mayor, que será Yvonne Spicer, afro-americana, ex-profes­sora e vice-presidente do Museu das Ciên­cias, que teve 59% dos votos e levou a me­lhor sobre o ex-deputado estadual John Stefanini.

Natural de Brooklyn, Spicer foi profes­so­ra e em 1985 mudou-se para Framing­ham para lecionar, o que fez durante 16 anos. Tirou um doutoramento em liderança educacional e agora é vice-presidente de parcerias educacionais no Museu da Ciên­cia. Foi eleita pata o conselho muni­cipal de Framingham e agora vai ser a primeira mayor.

Outro afro-americano, Setti Warren, não se recandidatou a mayor de Newton a pensar candidatar-se a governador estadual de Massachusetts e os conselheiros muni­cipais Scott Lennon e Ruthanne Fuller concorreram a mayor. Fuller foi eleita tan­gencialmente, teve 51% dos votos e o opo­nente 49%, e será a primeira mulher mayor de Newton

Em Lynn, a mayor Judith Flanagan Ken­nedy, que ocu­pava o cargo há oito anos, foi desalojada por Thomas McGee, ex-senador estadual e ex-presidente do Co­mité Democrático do Estado de Massa­chusetts, com 64% dos votos.

Em Worcester, o mayor Joseph Petty foi reeleito para o quarto mandato com 71% dos votos, derrotando Kons­tantina Lukes (29%), que já tinha vencido em 2011 e 2013.

Em Newburyport, Donna Holaday, há oito anos mayor,  foi reeleita para mais qua­tro anos com 3.776 votos (55%), derrotan­do o ex-conselheiro municipal Robert Cronin, com 3.098 (43,7%).

Em Methuen, James D. Jujuga foi eleito mayor sem oposição. Anteriormente, foi deputado estadual pelo 3º Distrito de Essex e secretário estadual de Segurança Pública durante a administração Jane Swift.

Em Lawrence, os eleitores reelegeram mayor Daniel Rivera, que voltou a derrotar o ex-mayor William Lantigua por uma margem de 362 votos, ainda assim maior do que a margem de 81 votos com que ga­nhara há alguns anos atrás. Apesar dos pro­blemas administrativos, Lantigua é um político magistral a nível da rua e, além de mayor, foi deputado estadual. Há dois anos decidiu regressar à República Dominicana, mas manteve apartamento em Lawrence e regressou em fevereiro para lançar a candi­datura a mayor com apoios dos senadores democratas Elizabeth Warren e Ed Markey, e do governador repu­blicano Charlie Ba­ker. Mas a máquina de Rivera resistiu e, pelas suas declarações, parece que Lanti­gua não voltará candidatar-se.

Em Agwan, William P. Sapelli, ex-su­perintendente escolar que se reformou há quatro meses, foi eleito mayor com 5.369 votos, batendo conselheiro municipal James Cichetti (2.367 votos), que exercia interinamente funções de mayor desde que Richard A. Cohen decididu reformar-se.

Os eleitores de Salem não só reelegeram o mayor Kim Driscoll, mas também apro­varam em referendo uma proposta para reafirmar o estatuto de cidade santuário para imigrantes.

Em Attleboro, o mayor Kevin Dumas, que concorria ao 8º mandato, perdeu para Paul Heureux, deputado estadual cuja plataforma na educação incluia a construção de uma nova escola secundária.

Em East Hampton, o mayor Joy White, com 2.299 votos, perdeu para a advogada Nicole La Chapelle, que teve 2.717 votos.

O mayor de New Bedford, Jon Mitchell, foi reeleito para o 4º mandato com 8.371 votos, levando a melhor sobre Charlie Perry, um antigo polícia negro de New Bedford que teve 5.064 votos.

Em Fall River, Jasiel Correia foi reeleito para o segundo mandato com 8.914 votos, batendo a veterana conselheira municipal Linda Pereira, 5.624 votos. Correia tem 24 anos e será um dos mayors mais jovens do país.

Somerville também reelegeu o mayor Joseph Curtatone, no cargo desde 2004 e já no 7º mandato.

Em Cambridge, o mayor é um dos membros do conselho municipal designa­do pelos seus pares. A atual mayor é a afro-americana Denise Simons, que foi reeleita para o seu nono mandato no conelho municipal (2.615 votos) e em janeiro próximo deverá ser empossada no terceiro mandato como mayor.

Peabody reelegeu o mayor Edward A. Bettencourt Jr., que não tinha oponente.

Outros mayors reeleitos: Michael Ca­nolel, Beverly; Richard J. Kos, Chicopee; Carlo DeMarco, Everett; Stephen I. Natale, Fitchburg; James J. Fiorentino, Haverhill; Alex B. Morse, Holyoke; Dean J. Mazzarela. Leominster; Arthur Vigeant, Marlboro; Stephanie Muccini, Medford; Brian Sullivan, Westfield; Thomas Hoye, Taunton; Scott Dalvin, Woburn; Mark Hawke, Gardner;  e David Narkewicz, releito para o terceiro mandato em Northampton.

Registe-se ainda que Melissa Joy Teixeira foi eleita para o comité escolar de Gloucester, tendo sido a candidata mais votada (3.988 votos).

 

 

 

 

Jon Mitchell reeleito mayor de New Bedford

Maria Giesta eleita para o conselho municipal

 

Jon Mitchell foi eleito para o quarto mandato como mayor de New Bed­fdord com 8.371 votos e o seu desconhecido oponen­te, Charlie Perry, teve 5.496.

Polícia em New Bedford há 30 anos e à beira da re­forma, Perry viu a política como uma oportunidade de corrigir injustiças, nomea­damente pessoais. Anun­ciou a candidatura há sete meses, pediu a remoção da superintendente escolar Pia Durkin e criticou a lide­rança do Departamento de Polícia sob comando do chefe Joseph Cordeiro. Perry apresentou mesmo queixa de discriminação contra Cordeiro em abril, mas o processo não teve seguimento.

Cordeiro esteve no Way­point Center à beira rio, na noite das eleições, felici­tando Mitchell pela ree­leição e o mayor teve uma palavra para o chefe da polícia. “Nós vamos con­ser­tar as coisas e ele vai estar na ponta da lança”, disse Mitchell referindo-se a Cordeiro.

Contas feitas, Mitchell teve uma vitória fácil com margem de 3.875 votos, a mais folgada de sempre. Em 2011, quando levou a melhor sobre o deputado estadual Tony Cabral nas eleições para escolher o sucessor do mayor Scott Lang, Mitchell ganhou por  800 votos.  Em 2013 não teve oponente e em 2013 ganhou a Maria Giesta com 62% dos votos.

E surpresa, dois anos depois de perder para Mit­chell a corrida para mayor (teve 38% dos votos), Ma­ria Giesta entrou triunfante no City Hall pelo conselho municipal. É conselheira do Ward 2, sucedendo a Steve Martins, que foi elei­to em 2007 e anunciou este ano que se recandidatava por razões familiares. Ma­ria Giesta venceu  Edwin Cartagena por 1.115 a 368. Na noite das eleições, Jun­tou-se com familiares e amigos no restaurante Cap­tain’s Place, em Acushnet,  aguardando os resultados.

“Vou trabalhar com afin­co e estarei sempre acessí­vel e disponível para aten­der todos”, disse Maria Giesta, 55 anos, uma vida de serviço público em Washington, trabalhando longos anos na equipa do congressista Barney Frank.

Na corrida para con­selheiro do Ward 5, Scott Lima venceu Paul Chasse.  Lima obteve 1.610 votos (53%) e Chasse 1.421 (47 %).

Lima, 54 anos, é um corretor de imóveis e tem trabalhado como voluntá­rio para a cidade, incluindo como, incluiu como mem­bro do conselho de admi­nis­tração da organização WHALE.

No Ward One, William Markey derrotou Melissa Costa por uma margem de 312 votos. Markey subs­tituirá o conselheiro Jim Oliveira, que optou por não se recandidatar.

No Ward Four, Dana Rebeiro foi reeleita para outro mandato levando a melhor sobre o seu oponen­te habitual, o ex-conselhei­ro Joseph “Jo-Jo” Fortes. Apenas 48 votos separaram os dois candidatos, ambos de origem cabo-verdiana.

Rebeiro afirmou há tem­pos que só serviria três mandatos no conselho municipal, se assim for este será o seu último mandato.

No Ward 6, Joseph Lopes não tinha oponente e foi reeleito com 1.414 votos.

Os conselheiros at-large Brian Gomes, Ian Abreu, Linda Morad, Naomi Car­ney e Deborah Coelho foram todos reeleitos. O veterano Gomes foi o mais votado com 7.519 votos e Abreu ficou em segundo lugar com 7.468. Segui­ram-se Foram Morad com 7.020 votos e Carney com 5.959. Deborah Coelho ficou em quinto lugar com 5.893 votos.

O comité escolar de New Bedford vai ter duas caras novas como resultado das eleições:  Colleen Dawicki (5.675 votos) e John Oli­veira (5.675) conquistaram os lugares deixados por Joaquim “Jack” Nobrega e o dr. Lawrence Finnerty. Josh Amaral também foi reeleito e foi o mais votado com 7.942 votos.

Os eleitores de New Bed­ford responderam dia 7 a uma pergunta sobre o pro­longamento do mandato do mayor de dois para quatro anos.  A proposta foi apro­vada por 6.904 votos “sim” contra 6.127 votos “mão”. Um total de 14.098 elei­tores foram às urnas, o que significa que 1.1067 cida­dãos borrifaram-se em responder à questão.

O aumento do mandato do mayor foi proposto por um grupo de cidadãos auto­denominado New Bedford Fourward e que reuniu as 2.500 assinaturas necessá­rias para submeter a pro­posta a referendo no bole­tim de voto das eleições de 7 de novembro.

Nem toda a gente concor­da com o prolongamento do mandato do mayor e um dos audíveis oponentes é o ex-mayor  Scott Lang.

Em contrapartida, o atual mayor, agora eleito para um quarto man­dato de dois anos, foi um forte defensor do mandato de 4 anos, que entra em vigor para o ven­cedor da eleição municipal de 2019, que ­poderá ser ele.

 

 

 

Jasiel Correia reeleito em Fall River e continua sendo o mayor mais jovem de Massachusetts

Em Fall River votaram apenas 15.058 dos 47.977 eleitores registados (33,1%). Na corrida para mayor, e como se previa, Jasiel Correia II foi reeleito levando a melhor sobre a veterana conselheira mu­nicipal Linda Pereira. Cor­reia teve quase 61% dos votos (8.914) e Linda Pe­reira 38,45% (5.624).

Correia tornou-se o mayor mais novo na histó­ria de Fall River e um dos mais jovens dos EUA quando foi eleito em 2015, quando venceu o ex-mayor Sam Sutter. Agora, com 24 anos (faz 25 dia 11 de dezembro), foi reeleito para o segundo mandato e terá mais dois anos como o mais jovem mayor da Com­monwealth de Mass.

Correia voltou a celebrar a vitória no Sports Bar & Grill de Jerry Remy, aplau­dido como uma estrela de rock. Agradeceu à sua equipa de campanha, reco­nhecendo  particularmente Gen Andrade e Mónica Sousa. E também agrade­ceu ao que chamou de “fa­mí­lia na Câmara Munici­pal”, nomeadamente a administradora municipal Cathy Ann Viveiros.

Linda Pereira desejou sorte a Correia nos próxi­mos dois anos. Ainda tem seis semanas como vice-presidente do conselho municipal e depois planeia uma viagem com o marido, Lou. Mas não exclui voltar a candidatar-se a outro cargo político em Fall Ri­ver, como já fez anterior­mente, quando perdeu uma eleição para o conselho municipal na década de 1990 para retornar em 2007 e no total esteve 16 anos no conselho municipal.

Linda Pereira deixa o conselho municipal, mas vamos continuar a ter quatro apelidos portugue­ses, os reeleitos Cliff Ponte (7.120 votos), Joe Câmara (6.360), Dereck Viveiros (5.273( e Steve Câmara (4.699).

Foram também candi­datos ao conselho munici­pal, mas sem sucesso, Ro­nald Cabral (2.553 votos) e Jordan James Silvia (2.498).

No comité escolar de Fall River teremos nos próxi­mos dois anos três titulares de apelido português: Mark Costa e Joseph Martins, a que se juntou Kevin Aguiar.

Paul Coogan, ex-vice-diretor escolar, foi o can­didato mais votado com 7.343 votos. Costa ficou em segundo lugar com 6.156 votos, Martins em 3.º lugar em 5.746 votos e Aguiar teve o quarto maior total de votos – 5.573 – entre 11 candidatos.

Kevin Aguiar, antigo deputado estadual (2008-2013), já tinha sido membro do comité escolar (2002-2009).

 

 

 

Carpenter foi reeleito mayor de Brockton

estreante Jimmy Pereira foi uma revelação

Em Brockton, Bill Car­penter, 60 anos, ex-inspetor de saúde da cidade e ex-membro do comité escolar, foi eleito para o terceiro mandato como mayor com 6.653 votos (54,5%), coisa que não acontecia em Bro­c­kton desde 1999, quando Jack Yunits ganhou o 3.º dos seus cinco mandatos.

Mas a grande surpresa destas eleições para mayor foi um jovem de origem cabo-verdiana recém-che­gado à arena política,  Jim­my L. Pereira, 26 anos, planeador regional e comu­nitário que concorreu pela primeira vez a um cargo político e conseguiu 5.550 votos. É certo que, como disse Carpenter ao jornal local, a campanha do seu oponente recebeu o apoio de dois anteriores candi­datos a mayor, a ex-mayor Linda Balzotti, juntamente com vários grupos de de­fesa ambiental como Stop The Power. Mas Jim­my Pereira conseguiu corres­ponder ao que se esperava dele, representar mudança e atrair a juventude.

A história de Jimmy Pereira é promissora. Nas­ceu em 1991, em Stou­gh­ton, filho de cabo-verdia­nos, Maria Rodrigues e Lucílio Fernandes. Aos 11 anos, o pai, já falecido, regressou a Cabo Verde e o jovem foi criado pela mãe repartida por dois trabalhos para sobreviver.  Aos 14 anos, Jimmy meteu-se em sarilhos e  ficou sob custó­dia do DYS (Department of Youth Services). Podia ter dado um marginal, mas concluiu a licenciatura em planeamento na Westfield State University e hoje trabalha no departamento de planeamento do desen­volvimento de Brockton, um trabalho que o torna conhecedor, como poucos, da cidade.

Com Pereira adiado para futuras eleições, o cabo-verdiano mais em destaque na política de Brockton continua sendo Moisés Rodrigues, reeleito para o conselho municipal com 5.616 (foi o segundo can­didato mais votado).

Não foram bem sucedi­das, mas mesmo assim é de registar as candidaturas de Derek Barros ao Ward 4 do conselho municipal, Angek Cosme Jr. ao Ward 2, Tina Cardoso ao Ward 3 e  Nan­cy Demacedo ao comité escolar.

 

 

 

Thomas Hoye foi reeleito mayor em Taunton

e Gregory DeMelo eleito para o comité escolar

Em Taunton, foram às urnas apenas 18,4% dos 35.258 inscritos na cidade e 4.517 (94,2%) votaram no mayor Thomas Hoyle, que não tinha oponente, mas mesmo assim 1.698 elei­tores escreveram os nomes de outros possíveis candidatos nos seus bole­tins de voto. O candidato ao conselho municipal mais votado foi o estreante Jef­frey Postell, natural da da Carolina do Norte e tenente da polícia do Boston Colle­ge. Estele Borges foi ree­leita para o conselho muni­cipal e foi a terceira mais votada.

O comité escolar de Taun­ton tem um novo membro, Gregory DeMelo, que é diretor dos serviços de viagens da Bridgewater State University e foi eleito para o 8.º lugar do comité.