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Carnaval 2005
Um sucesso com 32 anos de existência contado pelo pioneiro
José Valadão
A comunidade Lowell (a norte de Boston) foi o berço das danças de
carnaval
no ano de 1973. Na passagem dos 32 anos desta tão popular tradição ³PT² por
intermédio de Paulo Godinho, presidente do Portuguese American Center (PAC)
popularmente conhecido como o clube dos azuis conseguiu-se o contacto com a
familia Valadão que faz história nas danças de carnaval pelos EUA.
"Uma Petiscada" foi o primeiro bailinho a vir a palco em 1973"
"A Galinha (Délio Valadão) o Queimado,(José Valadão a Pomba,(Francisco
Meneses, já falecido) e o Melro Preto, (Lourenço Valadão) foram os
figurantes do primeiro bailinho cujo enredo era "Uma Petiscada".
Eramos
cinco pares que em 1973 dariamos o arranque para o reviver de uma tradição
que tem encontrado eco pelas comunidades a norte e sul de Boston", começou
por dizer ao PT José Valadão que se encontrava acompanhado pela esposa e
filho Délio Valadão que a comunidade conhece como um dos continuadores
daquela tradição pelos EUA, "Depois do bailinho " A Petiscada"
em 1973 surge
no ano seguinte "A Artista de Cinema" que tal como a primeira tinha
sido
saido no Juncal", prossegue José Valadão no conforto do seu lar e com as
paredes recheadas de memórias fotográficas das danças efectuadas pela Ilha
Terceira.
"O Portuguese American Center, Portuguese American Civic League e
Sociedade
do Espírito Santo em Lowell foram as primeiras organizações a receber danças
nos EUA"
"As apresentações das primeiras danças aconteceram pelos clubes dos
azuis,(Portuguese American Center); dos vermelhos, (Portuguese American
Civic League), e ainda na "Pensão 50" de Porto Martins, no João
Cambado da
Praia, por cima do "Mateus Peixeiro" e mesmo no Martins Peixeiro.
Nos
principios ainda nos apresentamos em Peabody, Lawrence, Cambridge,"
prossegue José Valadão com o apoio de seu filho Délio Valadão.
"Como diz o povo, agora estamos a ver touros de palanque"
"Eu fiz duas danças que seriam o rastilho para o que é hoje o carnaval
por
toda a Nova Inglaterra. O meu filho Délio Valadão e mais rapaziada
terceirense têm dado continuidade a esta tradição enquanto que nós passamos
à reserva. Ficamos a ver touros de palanque. (Expressão que o povo usa
significativo da passagem à reforma de gente activa). Mais tarde ainda
ensaiei e levei a palco o bailinho "A TAP" onde além da gente da
Terceira
também apareciam dois ou três rapazes da Graciosa.
"Os Cowboys" foi outro dos bailinhos trazidos a palco com grande
sucesso tal
como os anteriores", prossegue José Valadão o pioneiro do carnaval
terceirense por estas paragens. Se bem que a entrevista fosse efectuada já
ao pincipio da noite da passada sexta feira, fria e gelada mais convidativa
a recolher a "vale de lençóis" o nosso entrevistado pronto a
recolher,
recebeu um sopro de juventude quando começou a falar do carnaval.
"Em 1975 começamos a levar os bailinhos até Pawtucket, Warren e
Taunton"
"Em 1975 e já com o meu filho Délio a chamar a si a
responsabilidade da
continuação do carnaval os nossos bailinhos começaram a apresentar-se em
Pawtucket, Warren, Taunton.
Pelas comunidades do sul o carnaval conhece a sua evolução graças a Victor
Santos que tem sido um grande impulsionador desta tradição", prossegue
José
Valadão tendo a seu lado o filho Délio que acrescenta, "ao principio a
danças não foram bem recebidas em todos os salões. Uma vez no clube dos
azuis estava uma mulher mesmo à frente que não se calava um minuto por não
gostar das danças. No desenrolar do bailinho o meu pai aproveitou e deu-lhe
um pontapé numa canela que passados uns minutos já estava ao fundo da sala
calada que nem um rato.
Outra vez estavamos em Cambridge e chamaram para irmos ao clube madeirense
em . Por desconhecimento da tradição e face ao barulho na sala "mete-mos
a
música no saco" e toca a andar", disse Délio Valadão que já tinha
a sua
dança a espera para o último ensaio antes do arranque do Carnaval 2005. "Nos
tempos que correm a diferença entre as danças que percorrem a Ilha Terceira
e as que percorrem a Nova Inglaterra é nula. Direi mesmo, que em alguns
casos por estas paragens desde o enredo, ao vestuário e acompanhamento
musical temos um todo superior ao que se faz por lá. Só não gosto é de ver
as danças a exibirem-se fora da época. Quando chega ao carnaval já não têm
piada", atacou de novo José Valadão que fala com o mesmo entusiasmo de
quando trouxe a palco a primeira dança em 1973.
"O que mais gostava na vida era a música, danças, e touradas"
"Com 13 anos comecei a tocar música. Participei ainda no decorrer da minha
juventude em seis dança da noite a tocar violino. A minha mãe preferia que
eu me dedicasse ao clarinete e eu não gostava.
O Manuel Chanceler disse-me que o melhor para mim era o saxofone alto.
Acabei por vir a ser o fundador da Banda do Espírito Santo junto dos azuis
(Portuguese American Center) aqui em Lowell.
Lá comecei na Sociedade Velha e depois mudei-me para a Sociedade Nova. O que
mais gostava na vida era a música, as danças de carnaval e as touradas",
prossegue José Valadão que acrescenta que a dança de dia(dança de espada)
dançava pela rua e a da noite (bailinho) nos salões das sociedades. E no
respeitante à continuidade da tradição José Valadão acrescenta, "Graças
ao
entusiasmo do meu filho Délio Valadão cuja "febre" do carnaval já
conseguiu
transmitir às filhas, assim como outros activos elementos da comunidade de
Lowell e mesmo do sul, esta tradição está no bom caminho e vai durar por
muitos e longos anos. Se a Lolita casasse com a idade da avó já tinha bisnetos
a dançar", concluiu José Valadão no meio de uma gargalhada de alegria
por ver que o seu esforça
em reviver o carnaval por estas paragens entrou eco e mantem-se vivo.
"Cheguei em Maio de 1972 aos EUA mais propriamente a Lowell. Os meus
cunhados José Valadão e o Lourenço Valadão (já falecido) aproximaram-me
para
fazer uma dança. Em 1973 viemos a palco com a primeira brincadeira. A
primeira experiência não teve grande sucesso. Era uma coisa nova e as
pessoas ficaram como que surpreendidas", disse ao PT Francisco Menses que
tal como dizia o cunhado José Valadão, agora já só vê "touros de
palanque",
pelo que pendurou o violino numa agradável salinha recheada de memórias
traduzidas em velhas reliquias fotográficas.
"O segundo ano de continuidade desta tradição já foi bem aceite e
acabaria
por ser o rastilho para o que hoje se traduz em 14 e 15 danças anuais entre
o norte e o sul. Acredito na continuação desta tradição graças ao esforço
de
activos elementos comunitários como o Délio Valadão que já conseguiu
contaminar as filhas com a "febre" do carnaval", concluiu
Francisco Meneses
Carnaval 2005
Tradição de 32 anos movimenta mais de 25 mil pessoas pela Nova Inglaterra
O Carnaval 2005 culminou em mais um grandioso sucesso movimentando mais de
25 mil pessoas na noite de 5 de Fevereiro sábado e tarde de 6 de Fevereiro
domingo.
Desde os trajes, aos acompanhamentos musicais, aos assuntos, aos puxadores,
ao evoluir da dança em palco, houve uma melhoria nos 14 bailinhos, que
desfilaram pelos salões onde o público permaneceu até cerca das 3:00 da
manhã de domingo.
Se já tinhamos visto algumas das danças em estreia, outras houve que vimos
pela primeira vez e diga-se valeu a pena.
Estivemos em Lowell na passada sexta-feira e perante um salão cheio duas
das danças fizeram o seu ensaio final sob os aplausos dos presentes.
E já que fomos até ao Portuguese American Center (PAC) Clube dos Azuis para
testar e saborear a boa cozinha regional que ali se serve todas as
sextas-feiras, aqui fica uma referência ao excelente serviço e às gambas que
estavam uma delícia.
O ambiente era óptimo com o Daniel Guerra a entreter o público até surgirem
as danças.
Foi como que uma ante-estreia do sucesso que viriam a ser mais dois dias de
carnaval.
Mas não podemos esquecer que os Amigos da Terceira em Pawtucket, Brigtridge
Club em East Providence, Clube Desportivo Faialense em Cambridge já tinham
dado um ar da sua graça deixando adivinhar o que seria o carnaval 2005.
Bailinho Brigtridge Club, East Providence
"O Convento do Amor"
A primeira dança saida do Brigtridge Club com grande sucesso.
Salões cheios com uma presença a ultrapassar as 500 pessoas desde as 5:00 da
tarde de sábado até cerca das 4:00 da manhã de domingo e desde a 1:00 da
tarde de domingo até cerca das 11:00 da noite era o cenário vivido pelas 14
organizações que receberam as danças do Carnaval 2005 a norte e sul de
Boston.
O "Convento do Amor" era a primeira dança saída do Brigtridge Club
de East
Providence, fazendo história tal como Lidia Alves que é a primeira mulher a
assumir a presidência daquela organização de RI. Hélio Costa foi o autor do
enredo com a música a ter a responsabilidade de Paulo Borges e Joseph
Gonçalves. A puxadora era Cristina Airoso uma jovem nascida nos EUA e que
até deu muito boa conta de si. Boa voz, bom português, mostrou que a nossa
juventude gosta dos costumes e tradições de pais e avós. Os ensaidores
foram Paulo Borges e Pedro Botelho. O responsável pelo Convento do Amor foi
Paulo Borges.
O enredo era muito curioso e foi bem representado por elementos já
habituados a estas andanças e a merecerem os mais vivos aplausos.
Uma boa experiência surgida junto do Brigtridge Club que esperamos não seja
a última.
Tinhamos visto esta dança na noite de estreia no seu clube tendo deixado boa
impressão que acabaria por se refletir pelos salões que visitou a 5 e 6 de
Feveiro.
"Comecei a sair muito novo em danças de carnaval. A primeira em que saí
tinha sido feita pelo meu pai. Tenho três anos de América e participação em
três danças de carnaval. Esta tradição veio ajudar imenso à minha adaptação
a esta grande terra", disse ao PT Paulo Borges, responsável pela dança.
Bailinho dos Martins, Lowell
"Os Piratas da Alegria"
Os irmãos Martins naturais do Cabo da Praia trouxeram este ano ao carnaval
um bailinho intitulado "Os Piratas da Alegria".
Dotados de um longo palmarés de actuações apareciam nos salões com
responsabilidades redobradas.
O bailinho tinha de ter pés e cabeça e tinha de sair bem.
Na noite de sexta-feira tinhamos assistido a uma pré-estreia, sem trajes,
mas perante o seu público reunido no Portuguese American Center em Lowell,
deixando adivinhar mais um sucesso.
O autor do enredo foi João Angelo Martins com a música a ter a
responsabilidade de todo agrupamento. A puxadora era Susana Martins filha
de José Martins e como tal a representar uma nova geração a manter viva esta
tradição. Dotada de boa voz e facilidade de movimento dava ordens às alas
com mestria e voz firme, como mandam as regras de uma boa puxadora. Susana
Martins estava rodeada por uma alta percentagem de juventude que fazia coro
e deixava no ar o entusiasmo próprio do carnaval.
O enredo era muito oportuno focando os assuntos que nos rodeiam desde a
politica pelos EUA, Portugal sem esquecer a guerra do Iraque e o preço do
petróleo.
Os ensaios tiveram a responsabilidade de todo o grupo e os responsaveis
foram os veteranos irmãos Martins.
"Faço quatro anos de permanência nos EUA e com este é o quatro carnaval
em
que participo. Desde muito jovem que tomo parte nesta tradição. Ao chegar ao
seio da familia Martins radicada em Lowell e com longos pregaminhos no
carnaval fiquei de imediato integrado e cá estou a fazer parte dos "Piratas
da Alegria",disse João Martins que desempenhou um excelente trabalho.
Dança de Pandeiro, Stoughton
"Viajem curta à terra prometida"
Da vizinha vila de Stoughton veio uma dança de pandeiro, cujo enredo era
"Viajem Curta à Terra Prometida" da autoria de Victor Santos de
Pawtucket.
"É home, afinal o filho da Terra Chã, também escreve para os outros".
A
puxadora dispensa comentários. Dá pelo nome de Michelle Romeiro dotada de
voz limpida e cristalina, com vários discos e CD's gravados atestando as
qualidades de quem sabe cantar, tal como o confirmou no passado carnaval.
Boa presença em palco. Dotada de grande simpatia. Bom manejo de pandeiro
conseguiu o ritmo obrigatório às alas para sair uma dança de grande sucesso.
Convém sublinhar que Michelle Romeiro já não é nova nestas andanças pelo
que
esta dança de pandeiro da banda de São João de Stoughton foi mais uma a
juntar ao seu palmarés de sucessos.
Nelson Garcia foi o responsável.
"Representamos a banda de São João com a dança de pandeiro, "Viagem
Curta à
Terra prometida focando a entrada ilegal de brasileiros nos EUA e que se
empregam até serem apanhados pela imigração", disse Nelsom Garcia
responsável pela dança.
Por sua vez Michelle Romeiro diria, "Venho de pais terceirenses e como tal
muito cedo fui tomando conhecimento desta tradição. Acredito que isto tenha
continuidade como forma de preservação da nossa cultura popular",
concluiu a
simpática Michelle Romeiro.
Bailinho do Phillips Street Hall (homens)
"Piquenique no Pico da Bagacinha"
Acompanhamento musical a merecer os mais vivos aplausos
O centenário Phillips Street Hall apresentou-se no carnaval deste ano com
duas danças. Uma de homens e outra de mulheres.
Depois de termos assistido à estreia com lotação esgotada a entrada musical
sobressaiu de tal forma que sabiamos ia ser alvo dos mais vivos e merecidos
aplausos pelos salões a norte e sul durante o passado fim de semana.
Luciano Alves é um dos veteranos destas andanças carnavalescas pelo sul
e
fez-se acompanhar uma vez mais dos filhos Larry e Steve Alves cujos dotes
musicais no desdelhar das violas arrancaram os sons indispensáveis ao brilho
da dança.
O enredo escrito por José Aguiar tinha neste talentoso terceirense um dos
interpretes do dito escrito, "Piquenique no Pico da Bagacinha".
A música foi escrita por Larry Alves cuja juventude e dotes demonstrados lhe
podem abrir portas no mundo da música que interpretou com mestria e
sabedoria.
O puxador foi Fernando Pereira que desempenhou o papel à altura para o que
tinha sido destacado.
Steve Alves ensaiou e foi o responsável demontrando ser um dos Alves que
teima em manter vivo o carnaval por estas paragens.
"O grupo que levou a efeito este bailinho tem projectos para uma ida ao
carnaval na Ilha Terceira em 2006", disse Steve Alves.
Uma nota que caiu em todos os presentes, foi quando Luciano Alves dedicou a
dança a Jocelyn Araújo que ensaiava com o bailinho do Phillips Street Hall
(mulheres) e um problema de saúde a obrigou a abandonar.
Bailinho de Manuel Rocha, Stoughton
"Quem havia de dizer"
Manuel Fernando Rocha é mais um dos veteranos do carnaval ali para os lados
de Stoughton.
Foi uma vez mais puxador da dança, uma das que representou aquela vila no
carnaval 2005, assim como a banda de São João.
O autor do enredo foi Hélio Costa das Lajes, Ilha Terceira nome que já se
tornou conhecido por estas paragens.
A música foi um trabalho conjunto de todos os elementos que constituiam a
dança.
O ensaiador foi Fernando Meneses e o responsável Fernando Rocha.
O puxador Manuel Rocha mostrou grande avontade em palco graças à longa
experiência dentro daquele campo.
Vestia a rigor como mandam as regras. Chapéu engalanado e varinha na mão
para manter as alas certas, que por sua vez mostravam grande evolução em
palco.
O assunto focava o drama de pais e filhos e as heranças familares.
"Quem havia de dizer" assim se chamava o assunto que trouxe momentos
de boa
disposição.
"Desde 1990 que ando envolvido no carnaval e deixo um alerta à juventude
que
se juntem a nós para que esta tradição se mantenha por muitos e longos
anos", disse Manuel Rocha.
Bailinho do Phillips Street Hall (Senhoras) East Providence
"Vacada em São Brás"
Tal como fazemos referência acima o centenário Phillips Street Hall de East
Providence teimou em se fazer representar no carnaval 2005 em maior escala
que em anos anteriores.
Manuel Sousa que recentemente foi empossado como presidente daquela presença
lusa em RI estava satisfeito na noite da estreia ao ver a casa cheia.
Se a casa encheu em dia de estreia esgotou durante os dois dias de carnaval.
"Vacada em São Brás foi mais um bailinho e que tal como o nome indica era
cómico.
O autor foi o veterano Luciano Alves enquanto que o autor da música voltou a
ser Larry Alves .
A puxadora foi Elizabeth Alves e por certo o leitor já se apercebeu que tudo
isto é família.
Elizabeth Alves embora jovem já não é a primeira vez que toma parte nestas
andanças carnavalescas pelo que ensaiou, puxou e foi a responsável sem
esquecer a jovem Jocelyn Araújo que teve de desistir dos ensaios por motivos
de saúde.
A jovem foi chamada ao palco sob os aplausos de quantos enchiam o salão. Foi
uma atitude bonita e cheia de significado.
"Já venho puxando danças desde os 10 anos de idade. Este ano ligada
ao
Phillips Street Hall assumi uma vez mais as funções de puxadora e estou
orgulhosa pelo sucesso conseguido no Carnaval 2005",disse Elizabeth Alves
Bailinho dos Amigos da Terceira, Pawtucket
"O Convento das Meninas"
O desfile de domingo abriu pelo salão da igreja de Santo António em
Pawtucket com o bailinho dos Amigos da Terceira. "O Convento das Meninas"
era o título do enredo que foi escrito por Victor Santos.
Convém subinhar que Victor Santos foi o grande impulsionador das danças de
carnaval aqui pelo sul e que tem sido um dos pilares de sustento desta
tradição que graças a activos e bons elementos como o "home" da
Terra Chã se
tem mantido ao longo dos anos com projectos de continuidade.
O elenco era constituido pela juventude dos Amigos da Terceira e falando bom
português, foi pena não terem sido vistas actuar pelos políticos que por aí
andaram em campanha eleitoral, para verem como se pode por gente a falar a
lingua de Camões sem projectos que terminam no fundo de uma gaveta, tal a
velocidade com que os governos mudam.
Mas voltando ao carnaval fomos encontrar o "Convento das Meninas"
apoiado
por um bom agrupamento musical sob a responsabilidade de Victor Santos e "Os
Sete da Vida Airada". Não se admirem se surgir algum agrupamento musical
com
este nome.
Victor Santos escreveu, musicou, ensaiou entregando os trajes à
responsabilidade de Tania Santos.
Resumindo foi mais um sucesso dos Amigos da Terceira trazido a palco.
O teatro estreia em Abril... e palavras para quê, o melhor e ir ver.
"Estou satisfeito como tudo está a decorrer este ano. O salões estão
cheios, o itinerário das danças tem vindo a decorrer como o previsto e as
esperas não têm sido muito grandes. Na qualidade de um dos organizadores
faço votos para que de ano a ano as coisas melhorem cada vez mais", disse
ao
PT Victor Santos.
Dança do Clube Faialense, Cambridge
"A Sepultura da Tia Augusta"
Do Clube Desportivo Faialense veio mais um bailinho intitulado "A Sepultura
da Tia Augusta".
O autor do enredo foi Hélio Costa das Lajes, Terceira nome que já começa a
ficar connhecido pelo carnaval nos EUA.
Os puxadores eram Larry Ourique e Steve Correia que até deram muito boa
conta de si, dando às alas o movimento certo e andamento correcto.
Os ensaiadores foram todos os componentes, na sua maioria jovens ao que por
certo não foi alheia a experiência de João Costa mais um veterano destas
andanças carnavalescas.
Bom grupo de vozes e acompanhamento musical que não era mais do que a
Tuna
de Cambridge/Somerville constituindo um todo muito agradável e alvo dos mais
vivos aplausos.
O enredo sublinhava um pai que depois de velho se via a residir
intercaladamente com um filho e uma filha que esqueceram as obrigações
paternais.
Uma história que acontece na vida real trazida a palco pelos jovens do Clube
Desportivo Faialense.
Se bem que este clube não esteja aberto para receber danças fez-se
representar com muito bom nível no carnaval 2005.
"Em 1985 em conjunto com um grupo de Amigos optou-se por fazer uma dança
de
carnaval. Daí para cá anualmente temos estado presentes no Carnaval da Nova
Inglaterra. Temos tido o apoio da nossa juventude e desde que isto continue
a acontecer o carnaval não morre", disse
Bailinho de Peabody
"Uma Viagem à Terceira"
A comunidade de Peabody fez-se representar no carnaval 2005 ppr um bailinho
intitulado "Uma Viagem à Terceira" da autoria de António
Mendes, Santa
Barbara, Ilha Terceira.
Foi mais dos que mereceu os mais vivos aplausos principalmente quando surgiu
em palco Tatiana Silva que com seu pai Marco Silva puxavam a dança vinda de
Peabody.
Marco Silva mostrou ser um bom puxador. Com o apoio de pandeiro deu ao grupo
a cadência necessária para uma evolução correcta e bem delineada em palco
para agrado do público que não regateou aplausos se bem que as horas no
salão já fossem longas.
A música era também da autoria de António Mendes de Santa Bárbara e
completou a excelente prestação dos componentes do bailinho, "Uma Viagem
à
Terceira".
Os encarregados foram Marco Silva e Francisco Toste e estão de parabéns pelo
grupo apresentado.
O acompanhamento musical contava com elementos da Tuna Cambridge/Somerville.
O enredo sublinhava a mudança registada pelos Açores em que a mala com as
prendas da América já deixou de ter valor...até ver...
"Desde a Terceira aos EUA tenho saido em danças por gostar desta tradição
do
carnaval. Tendo em conta a juventude presente na nossa e em outras danças
acredito na continuação do carnaval terceirense pelos EUA", disse
Francisco
Toste.
Bailinho de Emanuel Meneses, Lowell
"Uma velha que vai de São Miguel às Festas da Praia"
Lowell desde 1973 que tem sido um viveiro de danças de carnaval. Emanuel
Meneses é um dos continuadores daquela tradição por terras do norte. "Uma
Velha que Vai de São Miguel à Terceira", foi o assunto cómico trazido
por
mais aquele agrupamento de Lowell para agrado dos presentes.
O autor foi Luciano Almeida com o acompanhamento musical a ter a
responsabilidade de todo o grupo.
Os puxadores foram Allison Almeida e Raimundo Meneses sob a responsabiliade
de Emanuel Meneses.
Aqui a juventude voltou a ser uma constante quer em dançarinos quer na
execução do instrumental.
Mais uma demonstração de que a juventude do norte não quer deixar morrer
esta tradição.
"Depois ter saido em diversas danças achei por bem tentar por no palco uma
sob a minha responsabilidade. Está tudo a correr muito bem. Fomos muito bem
recebidos sábado e domingo e esperamos patra o ano poder dar continuidade",
disse Emanuel Meneses um jovem a juntar aos muitos que vimos desfilar no
Carnaval 2005.
Bailinho dos Azuis, Lowell
"Velhos e Atrevidos"
"Velhos e Atrevidos" era o bailinho que representava o clube dos Azuis
(Portuguese American Center) no Carnaval 2005.
O assunto era da autoria de Hélio Costa e tal como os restantes tinha o
sentido cómico do carnaval.
Tinhamos assistido à estreia na passada sexta-feira no salão (esgotado) do
Portuguese American Center em Lowell e sabiamos de antemão que o elenco ia
brilhar.
O assunto era curioso e o seu puxador Aristides Ataide apoiado por um
instrumental de bom nível e um conjunto de enfermeiras que até apetecia
ficar doente brilhou pelos salões do norte e sul.
Mais um bailinho surgido do viveiro de danças de carnaval que continua a ser
a comunidade de Lowell.
Leonel Silva nascido em lowell
"Os meus pais são naturais da Ilha Graciosa. Encontrei o Alvaro Fagundes
que
me convidou a fazer com ele danças de carnaval. Gostei e cá me encontro",
disse Leonel Silva, nascido em Lowell.
"Comecei a fazer danças com 10 anos de idade. O gosto ficou e
passados
todos estes anos cá e encontro a reviver esta tradição", disse Nuno César
nascido em São Miguel
"Resolvi começar a tocar violão e a aprender a acompanhar danças
de
carnaval. Gostei e cá me encontro", disse Alvaro Fagundes.
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